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segunda-feira, 28 de novembro de 2022

A política da dor e sofrimento do governo de São Paulo

Desde os primeiros dias deste ano, 287 policiais ocupam a região conhecida como Cracolândia, lugar de livre venda e consumo de crack situada nas ruas Rio Branco, Cásper Líbero, Helvétia, Gusmões e Mauá, no centro da cidade de São Paulo. Oficialmente chamada de “operação Centro Legal”, a ação da PM,  segundo as autoridades,  visa combater o tráfico de drogas na região e dispersar os dependentes químicos das ruas por meio do uso de balas de borracha, bombas de efeito moral e cassetetes, numa verdadeira operação de guerra com direito à cavalaria, helicópteros e cães. A estratégia da Polícia Militar intitulada “dor e sofrimento” é garantir que os usuários não tenham paz para que assim eles procurem auxílio de saúde.

O que está por trás da “limpeza” da cracolândia?

Ao longo dos anos já assistimos diversas tentativas da polícia de pôr um fim à cracolândia sem êxito, mesmo após a criação do projeto Nova Luz que foi iniciado com o intuito “revitalizar” o bairro com a criação de um pólo comercial de serviços e um parque. Para isso seja possível é necessária a desapropriação de pelo menos 89 imóveis da região, e o mais importante, a retirada dos usuários de drogas do território.

Todo este processo ganhou força com as recentes ações da polícia no local e também com ações da Prefeitura de São Paulo que “lacrou” 32 imóveis (cortiços, pensões e bares) na região, especificamente nas ruas Helvétia, Barão de Piracicaba e no Largo do Coração de Jesus no dia 17 de janeiro. Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, todos estes estabelecimentos funcionavam de forma irregular.

Mas por que fazer tudo isso agora? Será que nossos governantes se deram conta da gravidade do caos da região ocasionado pelo crack, já que segundo o censo do IBGE temos cerca 1,2 milhões de usuários de crack no Brasil?

Não, o motivo das desapropriações na área é muito mais do que simplesmente querer revitalizar o bairro. Querem acabar com a cracolândia por interesses econômicos e não por toda a degradação humana na região.

Primeiro, a “limpeza” da região é mais uma política de estímulo à especulação imobiliária, pois garante a elevação dos preços dos imóveis e áreas livres na região. Também, a criação de um pólo comercial de serviços significa mais lucros às grandes empresas que necessitam de suas sedes na área que, claro, para isso precisam estar “seguras”.

O projeto Nova Luz, quando aprovado em 2005, sequer fazia referência ao destino dos usuários de crack da região, mas já encontraram uma solução para isso. Segundo o coordenador de Políticas sobre Drogas da Secretaria de Estado da Justiça e da Defesa da Cidadania, Luiz Alberto Chaves de Oliveira e a secretária da Assistência e Desenvolvimento Social, Alda Marco Antônio, a “dor e o sofrimento” causados pela abstinência induzirão os dependentes químicos a procurar ajuda. Mas resta uma dúvida: procurar ajuda onde e como? Todos os dias a prefeitura divulga números de pessoas que foram encaminhadas para tratamento, mas não diz onde e que tipo de tratamento está sendo oferecido.

Mas não é somente isso, o município agora dispõe de um mecanismo para retirar os dependentes que, mesmo com tudo isso, não procurem ajuda: a internação compulsória. Este dispositivo, no qual pessoas em condição de consumo de crack são internadas à força sob ordem judicial em clínicas sem a menor regulamentação ou qualidade, aliás, já foi desmascarado por pesquisas patrocinadas pela ONU, como apresentou o PROAD (Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes), que a eficácia das internações contra a vontade é de apenas 2%.

Este é mais um triste episódio que demonstram do que é capaz a classe rica no poder para defender seus interesses. Por isso, já está mais do que na hora de nós, trabalhadores, darmos um basta nas mazelas sofridas por nosso povo com as imposições capitalistas, unidos, indo à luta.

Isabela Melo da Silva, estudante de Serviço Social da Unicastelo – São Paulo

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