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segunda-feira, 28 de novembro de 2022

Enem: a exclusão continua

Após a divulgação das notas dos quatro milhões de estudantes que realizaram as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) o que se viu foi a frustração e o desânimo da imensa maioria, pois o sonho de ingressar numa universidade pública foi, mais uma vez, negado.

Todos os anos se inscrevem mais de 6 milhões de estudantes no Enem, para um universo de 3.327 cursos de nível superior e 108.552 vagas distribuídas entre universidades federais e estaduais, além dos IFs. Logo, antes mesmo de realizarem as provas e saberem suas notas, a imensa maioria dos estudantes que se inscrevem no Enem,  já estão excluídos por falta de vagas. Essa é a razão de  cerca de 1 milhão de jovens se ausentaram das provas, pois sabem que não têm  mesmo nenhuma perspectiva no ingresso em uma universidade pública.

Para aqueles que ficam fora da universidade pública ainda existem cerca de 250 mil vagas para bolsistas do Programa Universidade Para Todos (ProUni), do governo federal, que compra vagas ociosas nas universidades privadas em troca de isenção de impostos. Isto é: transfere-se o dinheiro que serviria para criar mais vagas nas universidades públicas para inserir o estudante numa universidade que não tem assistência estudantil, em sua grande maioria não produz pesquisa científica, além de transmitir um conhecimento extremamente mercadológico, voltado para o “deus” mercado. Esse programa, anunciado pelo governo como a salvação da lavoura quando de sua criação, na verdade é apenas um mecanismo para salvar empresas que lucram com educação salvando-se do enorme prejuízo que são as vagas ociosas. No artigo 205 da Constituição está escrito que a educação é um direito de todos e um dever do Estado. Então por que a imensa maioria da população brasileira está privada do ensino superior? Segundo o Inep, apenas 15% dos jovens em idade universitária estão matriculados no ensino superior e, destas matrículas, cerca de 88% são em universidades privadas. Isso nos deixa atrás de países como Bolívia, Venezuela e Argentina, todos com índices maiores. Para não falar em Cuba, onde o ensino é universal, isto é, todo aquele que deseja cursar o ensino superior consegue.

Como vemos, o Enem, apesar de toda propaganda do governo federal, não resolveu o principal problema do ensino superior, que é a exclusão de milhões de jovens.

Da Redação

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