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domingo, 4 de dezembro de 2022

Steve Jobs: o falso mito, o explorador

Steve Jobs, tudo pelo dinheiroEm 5 de outubro de 2011 morria Steve Jobs, dono da Apple. Os panegíricos e as hagiografias à sua pessoa pululavam até o aborrecimento em todos os mass media, como se fosse um santo, um gênio e um grande homem. Uma semana depois falecia Dennis MacAlistair Ritchie, cientista da computação estadunidense, e ninguém ficou sabendo. Enquanto do primeiro se falava em todos os meios de comunicação, o segundo apareceu apenas em alguns e como notícia secundária.

Dennis Ritchie é considerado um dos pais da computação moderna. Sua contribuição foi imensa: colaborou com a arquitetura e o desenvolvimento dos sistemas operacionais Multics e Unix, assim como com o desenvolvimento de várias linguagens de programação, como a C, tema sobre o qual escreveu um célebre clássico das ciências da computação junto com Brian Wilson Kernighan: A linguagem de programação C. Recebeu o Prêmio Turing de 1983 pelo desenvolvimento da teoria dos sistemas operacionais genéricos e sua implementação na forma do sistema Unix. Em 1998 lhe foi concedida a Medalha Nacional de Tecnologia dos EUA. No ano de 2007 se aposentou, sendo o chefe do Departamento de Pesquisa em Software da Alcatel-Lucent. Jobs, ao contrário, não foi “o maior contribuinte do mundo da informática”, como alguns o qualificaram. As contribuições de Jobs na área propriamente dita são simplesmente nulas.

A imprensa ianque ressaltava que Jobs teve “uma vida exemplar e extraordinária”; e a de outros países, não ficando para trás, lhe renderam cumprimentos como “um homem que quis dar seu amor e dedicação para satisfazer as massas”, “pioneiro”, “um grande criador de postos de trabalho” e “revolucionário”, entre outros alardes de servilismo e ignorância.

Jobs fez uma enorme fortuna (estimada em 8,5 bilhões de dólares) à base da utilização e exploração em benefício próprio de bens comuns sem os quais não alcançaria seus êxitos e, claro, da exploração de outros seres humanos (especificamente em Shenzen, na China, onde se exploram brutalmente os trabalhadores que têm jornadas de seis dias por semana, 16 horas por dia, e em condições militares em suas linhas de produção; onde se produzem suicídios e se assinam contratos nos quais se renuncia aos direitos trabalhistas e até penais, segundo publicou o jornal inglês Daily Mail). Existe um ambiente de terror bem-documentado na obra de Mike Daisey A agonia e o êxtase de Steve Jobs. A hostilidade de Jobs às classes trabalhadoras já era há muito conhecida, como expressa seu conselho a Obama para imitar a China, o que permitiria às empresas estadunidenses, na China e nos EUA, que “fizessem o que quisessem” [sic], sem nenhum tipo de proteção aos trabalhadores nem ao meio ambiente.

Também quiseram nos apresentar Jobs como um gênio que trouxe grandes avanços à tecnologia e ao design. Como já dissemos, não apenas não fez absolutamente nada como também se utilizou em benefício próprio de bens comuns, sendo que seus designs sempre foram questionados por serem plágios ou cópias descaradas do que outros criavam. (Algumas manchetes: O design do novo iMac… plagiado?, O Navegante, janeiro de 2002; Samsung acusa Apple de copiar design do Ipad, VidaDigitalRadio.com; Apple copia design de Kubrick…, Apple copia Android em seu iO5, etc., etc.).

Seu objetivo sempre foi acumular dinheiro – e, quanto mais, melhor. Para as corporações ianques e “empreendedores” do mundo capitalista ele era e ainda é o exemplo perfeito do que se deve ser; para as classes populares, para o proletariado mundial, é o paradigma do que devemos combater.

(Extraído do jornal Octubre, do Partido Comunista Espanhol Marxista Leninista)

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