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quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

Gestantes usuárias de crack já é pandemia

No dia 22 de maio, uma jovem de 18 anos sofreu um aborto nas ruas próximas a um dos principais pontos turísticos de Fortaleza, o Centro Dragão do Mar. Moradora de rua e usuária de crack, ela não sabia o tempo da gestação, pois nunca tinha realizado um exame ou consulta pré-natal. O aborto aconteceu por volta do meio-dia, em uma calçada. A moça havia passado mais de 24 horas sem se alimentar e tinha dores na barriga havia alguns dias. No momento do aborto, agachada no chão, expulsou o feto sem mesmo se dar conta de que estava abortando. Foi levada ao Hospital Geral César Cals por uma viatura do Batalhão de Policiamento Turístico (BPTur) para os procedimentos necessários.

Esse exemplo demonstra a dura realidade de várias jovens de Fortaleza. Grávidas precocemente, viciadas, morando nas ruas, sem perspectiva de vida e, consequentemente, de criar e cuidar dos seus filhos. Quando não abortam, dão à luz crianças já contaminadas pelo vício e com vários outros problemas de saúde (neurológicos, motores, pulmonares e cardíacos). De acordo com o psiquiatra Antônio Mourão, o feto de uma grávida que usa crack costuma ser diminuto, e o “estado anestésico” provocado pelo uso da droga se prolonga. “Quando ela para de usar, fica querendo o tempo inteiro ter essa sensação”. (O Povo, 23/05/12). As sequelas do uso do crack passam da mãe para o feto através da absorção da pele e do líquido amniótico que está contaminado.

Os perigos, na gestação, do uso de drogas (principalmente do crack) muitas vezes são irreversíveis, pois a droga anula qualquer noção de afeto e cuidado.  A obstetra Zenilda Bruno, da Maternidade Escola Assis Chateaubriand, alerta para o perigo de a mãe, quando usuária de crack, não conseguir cuidar de afazeres como a higiene e a alimentação, e, quando grávida, o pré-natal costuma ser ausente.

De acordo com especialistas, o número de gestantes usuárias de crack pode ser considerado uma pandemia. O consumo da droga deixou de ser um caso de polícia e se tornou um problema de saúde pública. O índice de meninas entre 8 e 10 anos grávidas tem aumentado devido ao uso de drogas como o crack. Outro problema é a prostituição infantil: o fato de adolescentes e crianças venderem o corpo para manter o vício se tornou muito comum.

Na verdade, a sociedade capitalista, além de jogar as jovens para o vício e acabar com os seus sonhos e com o seu futuro, é a responsável por crianças já nascerem sem vida, ou, em outras palavras, viciadas.

Paula Virgínia Colares, Fortaleza

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