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sábado, 3 de dezembro de 2022

Pesquisa retrata universitário brasileiro

A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) publicou o relatório Perfil socioeconômico e cultural dos estudantes de graduação das universidades federais brasileiras, encomendado ao Fórum Nacional de Pró-reitores de Assuntos Comunitários e Estudantis (Fonaprace) com o objetivo de mapear a vida social, econômica e cultural dos estudantes de graduação presencial das universidades federais brasileiras. A coleta dos dados ocorreu de 11 de outubro a 17 de dezembro de 2010.

Edward Brasil, presidente da Andifes na gestão 2010/2011, explica que “a pesquisa tem por fim conhecer o nosso alunado e buscar indicadores para formular políticas de equidade, acesso e assistência estudantil, essenciais no contexto da dissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, e assim redobrar esforços para garantir a permanência de todos os estudantes, viabilizando a conclusão de seus cursos agindo preventivamente nas situações de retenção e evasão”.

Nossas universidades federais são compostas por 75% de estudantes jovens na faixa etária de até 24 anos e 8,7% são negros; 43,7% pertencem às classes C, D e E, e este percentual cresce na região Norte (69%) e Nordeste (52%). Já os estudantes da classe A perfazem 15%, com maior concentração na região Centro-Oeste (22%). Em contrapartida, a região Norte tem apenas 6,3% de estudantes da classe A, dado que derruba o mito de que nas universidades federais só há ricos e reforça a necessidade de as instituições garantirem uma política de assistência estudantil que garanta aos estudantes das classes C, D e E poder se manter na universidade.

Os estudantes são, em sua maioria, mulheres (53,5%), e a Região Norte tem a maior percentagem (58,2%). Há um elevado percentual de estudantes com filhos que utilizam as creches universitárias (43,4%). Ao mesmo tempo, dos trancamentos de matrícula por licença-maternidade as mães oriundas das classes C, D e E são a grande maioria, com 68%, ou seja, muitas elas abandonam o período por não terem onde deixar seus filhos, o que demonstra a importância de universalizar o acesso à creche.

Outro mito, aquele segundo o qual a grande maioria dos estudantes vão de carro para a aula, também não é verdade: são apenas 21,62%. Em contrapartida, cresceu para 18% o número de estudantes que se deslocam a pé, de bicicleta ou de carona, e, ainda assim, a maior parte, 56,5% utiliza transporte coletivo.

 O relatório mostra como é deficiente o investimento em programas de assistência estudantil, numa realidade em que metade dos estudantes são das classes C, D e E, e apenas 15% utilizam os restaurantes universitários; 2,5% estão em residências universitárias (com destaque para a Região Norte, com apenas 0,63%); e não chega a 11% índice dos estudantes atendidos pelos programas de bolsa permanência. O resultado é que 15% dos trancamentos de matrícula são por motivos financeiros.

Uma questão que merece destaque é a situação de saúde física e mental. Um terço dos estudantes não pratica nenhuma atividade física e quase metade (47,7%) relata ter vivenciado crise emocional nos últimos 12 meses. Os motivos levantados são diversos: por relações amorosas e conjugais (41%), assédio moral (25%) e  a interferência por dificuldades financeiras foi manifestada por 52%, por carga excessiva de trabalho (37%) e – alarmante – é que, por violência física ou sexual, foram relatados 24% dos casos.

Essas dificuldades afetam o desempenho acadêmico em proporções diferentes: ansiedade (70%), insônia (44%), sensação de desamparo/desespero/desesperança (36%), sensação desatenção/desorientação/confusão mental (31%), depressão (22%),medo/pânico (14%) e problemas alimentares (12%).

Os prejuízos decorrentes de problemas emocionais foram: falta de motivação para estudar ou dificuldade de concentração (61%), baixo desempenho acadêmico (48%), reprovações (31%), trancamentos de disciplinas (16%), mudança de curso (6%), risco de ser jubilado (6%) e trancamento geral (5%).

O relatório demonstra um retrato de uma universidade brasileira com muitos desafios, pois só tem 15% dos seus jovens no ensino superior, e, destes, 85% estão nas instituições de ensino particular. A pequena parcela que conseguiu ingressar nas universidades públicas passa por um grande desafio de se manter nelas, pois ainda é insuficiente a política de assistência estudantil oferecida.

A pesquisa reforça a necessidade de fortalecermos a organização dos estudantes e da sociedade para que possamos reverter este quadro. Neste sentido, o Seminário Nacional de Universidade Brasileira, realizado anualmente pela União da Juventude Rebelião e DCEs, cumprem um importante papel de fomentar o debate sobre nossa universidade.

Alexandre Ferreira, Coordenação Nacional da UJR

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