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A luta da mulher no mercado de trabalho

No ano de 1968, 198 operárias da fábrica da norte-americana Ford na Inglaterra, onde trabalhavam cinco mil operários, fizeram uma greve por equiparação salarial. No início muitos operários eram contra a greve, por acreditar que o aumento salarial para as mulheres poderia reduzir seus salários. Depois foram convencidos pelos argumentos das operárias e apoiaram a greve das mulheres, que conseguiram um reajuste inédito de 92% do salário então pago aos homens. Estes fatos estão retratados no filme Revolução em Dagenham, do diretor Nigel Cole, e, embora tenham se passado há mais de 40 anos, até hoje as mulheres continuam recebendo salários menores que os homens, em diversas profissões.

No Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010, a média salarial dos homens era de 3,5 salários mínimos, enquanto que a das mulheres era de 2,8 salários mínimos. A desigualdade salarial entre homens e mulheres manteve-se no mesmo patamar em 2011, segundo o estudo Mulher no mercado de trabalho: perguntas e respostas, do IBGE. De 2009 para 2010, foram abertos 163 mil postos de trabalho para mulheres na Grande São Paulo. Elas representam 45% da população ocupada. A taxa de desemprego feminina recuou pelo sétimo ano seguido, atingindo 14,7%, ainda bem acima da masculina (9,5%). O rendimento médio aumentou em ambos os casos, mas essa alta foi maior para os homens, fazendo crescer a diferença entre a remuneração dos gêneros. Em média, as mulheres ganham 79,8% dos valores médios recebidos pelos homens.

Na indústria ASA, que produz material de limpeza no bairro recifense de Afogados, não existe mulher na produção; as três que trabalhavam na fabricação de lã de aço – um setor da indústria que principalmente emprega mão de obra feminina – foram afastadas, já que essa linha de produção foi suspensa em função de problemas no gerenciamento. Esse é um dos exemplos da discriminação da mulher no mercado de trabalho.

Apesar de muitos avanços, a presença da mulher em diversos setores econômicos ainda é tabu. Em 2011, as mulheres somaram 53,7% da população brasileira com 10 anos ou mais (idade ativa). Na população ocupada, elas ainda ficaram em menor número do que os homens (45,4%). Ainda de acordo com pesquisa do IBGE, as atividades que mais absorveram mão de obra feminina em 2011 foram o comércio (em que a participação das mulheres cresceu de 38,2% para 42,6%) e serviços prestados às empresas (com aumento de 37,3% para 42,0%). Nos serviços domésticos, predomina a mão de obra feminina (94,8%).

A discriminação da mulher e a desvalorização do trabalho feminino são instrumentos para dividir a classe operária e perpetuar o exército de desempregados que se submetem a receber salários menores em função das necessidades reais da manutenção de suas famílias. É necessário enxergar que a luta contra a exploração capitalista é igualmente de homens e mulheres, é uma luta coletiva, e que a luta contra a desigualdade salarial tem que ser vista também como de interesse coletivo, já que o salário menor acaba puxando para baixo o salário de todos os trabalhadores. Incorporar as mulheres e levantar suas especificidades na luta sindical são tarefas de todos os que lutam por uma nova sociedade.

Guita Kozmhinsky,
coordenadora do Movimento Olga Benário

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