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Desempregados contra cortes do governo espanhol

O primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, anunciou no início de julho novas “medidas de ajuste” que, na prática, representam mais demissões e aumento de impostos e agravam a crise social vivida pelo país. Entre as medidas estão a redução do número de empresas públicas, o fim do abono de Natal para os servidores, a suspensão de novas contratações e o aumento de dias trabalhados, além da redução do valor do auxílio-desemprego.

O parlamento do país, reafirmando o caráter cada vez mais reacionário desta instituição burguesa, aprovou o novo pacote do governo por 180 votos a favor, 131 contra e uma abstenção. A decisão foi tomada em consequência das pressões (o melhor seria dizer chantagens) do FMI e do Banco Central Europeu, que impuseram ainda mais exigências para continuar “auxiliando” economicamente a Espanha.

Entretanto, esse “auxílio” da chamada “troica” (BCE, FMI e União Europeia), longe de resolver a crise, agrava-a. De fato, mesmo depois de todos os pacotes anticrise aprovados e das inúmeras promessas de recuperação por parte do governo, a Espanha amarga hoje a maior taxa de desemprego da Europa (25,3%), o que representa 5,7 milhões de trabalhadores. No segundo trimestre deste ano o número de desempregados aumentou em 53,5 mil pessoas, enquanto o de famílias com todos os seus membros desempregados subiu para 1.737.600.  Na juventude, o desemprego entre jovens de 16 a 19 anos atinge 235,2 mil pessoas, enquanto que na faixa de 20 a 24 anos existem 722,3 mil desempregados.

Esta situação tem levado os espanhóis às ruas contra o desemprego e os pacotes econômicos neoliberais do governo. No último dia 10 de julho, milhares de mineiros ocuparam as ruas de Madri contra o corte de 63% nas verbas públicas destinadas ao setor e que ameaça os empregos de cerca de 30 mil mineiros em todo o país. Os funcionários públicos – cujos salários foram reduzidos 5% em 2010 – também protestam. No dia 15 de julho, milhares de policiais, bombeiros, profissionais da área de saúde e professores foram às ruas contra as medidas aprovadas pelo Congresso, numa manifestação que percorreu o centro de Madri e terminou em frente ao prédio do parlamento. “Estou aqui porque este é um país de charanga e tamborim. Há dois anos cortam o nosso salário”, afirmou Domingo, 35 anos, policial há oito.

A Central Sindical Independente e de Funcionários convocou uma greve no setor público para setembro. Já a CCOO, um dos principais sindicatos do país, afirmou que, diante dos fatos, uma nova greve geral será inevitável. “O governo tem em suas mãos o poder de evitar. Eu não renuncio à greve porque a sociedade tem o direito à autodefesa. Se o governo forçá-la e obrigá-la a isso, e temo que é o que está fazendo, será inevitável que ocorra”, disse Ignacio Fernández Toxo, secretário-geral do sindicato, que também defendeu a unidade sindical e afirmou que “vamos nos reunir com todos os sindicatos, profissionais, confederados e com outras organizações da sociedade civil para promover uma ampla resposta”.

No dia 21 de julho, houve outra manifestação contra as medidas governamentais, que dessa vez reuniu milhares de desempregados nas ruas de Madri. “Foi um longo percurso, mas não podemos ficar em casa”, disse Rafael Ledo, 31 anos, que andou 500 quilômetros, desde Astúrias, para participar do evento. “É preciso se mobilizar, tentar reunir todos os desempregados da Espanha. Somos quase seis milhões”, afirmou Ledo, há dois anos sem trabalhar.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho, desde o início do ano, a situação do emprego se agravou em metade dos países da Zona do Euro e pode piorar ainda mais, com a demissão de mais 4,5 milhões de trabalhadores até 2016.

Heron Barroso, Rio de Janeiro

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