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Violeta foi para o céu

O filme Violeta foi para o céu, do cineasta Andrés Wood, revela um olhar firme e comovente da artista chilena Violeta Parra e sua  vida atrelada à esperança e à luta por uma sociedade mais justa. A atriz chilena Francisca Gavilán, de forma magnífica, expressou o amor que Violeta dizia lhe mover a alma, o amor pela humanidade.

De família pobre, ela conseguiu com muito esforço estudar até o curso secundário. Sua sensibilidade e habilidade para a vida artística a levaram a trilhar vários campos. Poetisa, cantora, compositora, tecelã, artista plástica, uma mulher que expressava de diversas formas a vida sofrida e simples do seu povo.
Violeta era filha de uma índia com um professor que lecionava numa escola localizada em uma pequena aldeia chilena. Ainda menina contraiu varíola, que deixou marcas em seu rosto. Violeta cresceu entre as guitarras do pai. Apaixonada pelas canções populares que eram passadas às gerações de forma oral, colocou o pé na estrada na busca de registrar as músicas e os sons dos mais velhos. Suas primeiras canções e baladas só poderiam ser os lamentos e as esperanças de uma vida melhor para o povo de seu país. Mais adiante suas canções de protesto iriam explodir na América Latina. Uma delas, chamada La Carta, diz: “Na minha pátria não há justiça; os famintos pedem pão, a polícia lhes dá chumbo”.

Sua arte era seu instrumento de luta, a bandeira da dignidade de seu povo, que tremulava em sua voz e em suas pinturas com o orgulho e a dignidade de ser uma pessoa comum e popular.
Decidida a ampliar seus conhecimentos e divulgar sua arte, Violeta percorreu vários países. Na França,  onde permaneceu por mais tempo, começou a pintar quadros e a bordar painéis, recriando cenas dos povos andinos, suas cores e suas misérias, obras que expôs no museu do Louvre.
De volta ao Chile, em 1965, instalou uma tenda na região dos Andes, chamadaLa Reina, um centro de cultura popular, um palco permanente da cultura indígena onde divulgava suas canções e seus painéis.

“A criação é um pássaro que não voa em linha reta”, dizia, a levaram a voos dolorosos, em que retratava a dura realidade social de seu país. Suas músicas e pinturas expunham
suas raízes campesinas. Por ser uma pessoa forte, sensível e que abraçava e combatia os
problemas que o sistema capitalista empunha ao seu povo, Violeta, numa crise de depressão, deixou de voar. Sua voz calou porque sua dor, que identificava as dificuldades do povo e que ecoava nos lamentos de suas músicas, a paralisaram. Deixou de ser um pássaro que não voa em linha reta na busca da criação, para fincar suas raízes no solo de sua terra.

Andrés Wood, no filme Violeta foi para o céu, conseguiu mesclar a doçura, a sensibilidade, a personalidade forte, a guerreira e a apaixonada pelo simples e criativo na história que conta a vida de Violeta Parra. Um grande filme que merece ser visto por todos que querem conhecer mais sobre a autora de Gracias a la vida e uma das criadoras, ao lado de Victor Jara, da Nova Canção Chilena.

Denise Maia, Rio Janeiro

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