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quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

Corpo de Manoel Aleixo continua desaparecido

O militante camponês e dirigente do Partido Comunista Revolucionário (PCR) Manoel Aleixo da Silva é uma das 136 pessoas reconhecidas pelo Estado brasileiro como desaparecidas, dentre os mais de 500 mortos da Ditadura Militar fascista que instalou no Brasil em 1964 e que, podemos dizer, até hoje não acabou.

Não acabou porque ainda não cessaram as suas dores, o tormento provocado aos familiares dos que tombaram, dos que tiveram seus corpos desaparecidos, dos que foram torturados, mas sobreviveram.

O corpo de Manoel Aleixo continua desaparecido, mas sua história permanece viva. Nascido em São Lourenço da Mata, na Zona Canavieira de Pernambuco, em 04 de junho de 1931, seus pais foram negros alcançados pela escravidão quando crianças. Manoel cresceu trabalhando na moagem da cana de açúcar e ouvindo histórias dos homens valentes em busca de liberdade.

Em 1955, já aos 24 anos, conhece as Ligas Camponeses, que então conquistara a desapropriação do Engenhe Galiléia, no Município de Vitória de Santo Antão. Ingressa nas Ligas, desenvolve lutas e ajuda a organizar novos núcleos em diversas cidades de Pernambuco e Alagoas, recebendo, por isso, o nome de Ventania, pela velocidade e força com que se movimentava.

Nos anos que precederam ao Golpe Militar, as Ligas Camponesas e os Sindicatos de Trabalhadores Rurais travaram grandes lutas, envolvendo uma grande massa de homens e mulheres. Ventania era já então uma de suas maiores lideranças. Quando, de fato, os militares derrubaram o presidente da República João Goulart, em 1º de abril de 1964, Manoel Aleixo se vê obrigado a deixar sua casa, com esposa e filhos, e cair na clandestinidade.

Passados cerca de três anos, em meio ao processo de resistência à Ditadura e de reorganização política do trabalho entre os camponeses da região e das organizações de esquerda no Brasil, Manoel reencontra um velho conhecido: Amaro Luiz de Carvalho, um dos principais comunistas brasileiros com atuação no Nordeste, de ampla formação marxista e militar, que, junto a Manoel Lisboa de Moura e outros camaradas, participara da fundação do Partido Comunista Revolucionário (PCR), em 1966.

Uma vez no PCR, aprende a ler e a escrever e recebe formação política. Logo ingressa na Direção do trabalho no campo, sempre na clandestinidade. O trabalho do Partido cresce em toda a Zona Canavieira de Alagoas ao Rio Grande do Norte, incomoda o Estado fascista e, no início dos anos 1970, vira alvo prioritário das forças da repressão.

Em 1971, Amaro Luiz de Carvalho é assassinado na prisão, pouco tempo antes do fim de sua pena. Entre 1971 e 1972, outro militante camponês de nome Amaro, o Amaro Félix Pereira, é sequestrado e desaparecido. E, em agosto/setembro de 1973, a Ditadura consegue capturar Manoel Lisboa de Moura, Emmanuel Bezerra dos Santos e Manoel Aleixo. Os três são mortos sob as mais bárbaras torturas, mas a versão oficial divulgada pela Ditadura e pela imprensa burguesa é de que foram atingidos em tiroteios com policiais ao resistir à voz de prisão.

Luta pela memória, verdade e justiça

Em 23 de agosto de 2011, portanto, há um ano, foi criado o Comitê Memória, Verdade e Justiça de Pernambuco, formado por diversas entidades da sociedade civil e militantes históricos. Já em 16 de maio deste ano, foi empossada a Comissão Nacional da Verdade, criada pela Lei 12.258/2011, de autoria da presidente da República Dilma Rousseff.

O nome de Manoel Aleixo consta, sem dúvida, entre aqueles que o Comitê Pernambucano tem levantado para o devido esclarecimento das circunstâncias de sua morte. É preciso apontar para a Comissão Nacional que leve à frente as investigações sobre Manoel Aleixo, Amaro, Carlos, Odijas, Honestino, Stuart, José, Paulo, Joaquim, Wladimir, Jonas, Maria, Sônia, Soledad, Ana, Anatália, Iara, Íris, Ieda, Marilena…

Para homenagear todos estes militantes e cobrar punição aos golpistas e torturadores da Ditadura Militar, será realizado um ato político no dia 8 de setembro, na sede do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Sintaema) – Av. Tiradentes, nº 1.323, na Capital paulista. O ato acontece no marco dos 46 anos de fundação do PCR e será não só uma atividade de denúncia e reivindicação, mas, acima de tudo, uma manifestação em defesa de um mundo novo, socialista, uma celebração da luta libertária, um elogio aos revolucionários que deram suas vidas por esta causa.

Rafael Freire,
presidente do Sindicato dos Jornalistas da Paraíba

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