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segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Greve de trabalhadores da Normatel é exemplo

Greve Normatel EngenhariaNão é de hoje que a Petrobras vem precarizando as condições de trabalho com a ampliação das terceirizações. No Ceará, a Lubrificantes Derivados do Nordeste (Lubnor) é uma clara demonstração disso: várias terceirizadas atuam na base dessa empresa, que se localiza no bairro Mucuripe, em Fortaleza.

Mas nenhuma delas é mais carrasca que as encontradas na empresa Normatel Engenharia, uma terceirizada cujos trabalhadores realizaram, durante 20 dias, uma combativa paralisação para garantir seu direito ao reajuste de 8% nos salários previsto pelo Acordo Coletivo de 2012. Desde junho do ano passado, o dono da empresa se nega a pagar o que o seu próprio sindicato (patronal) havia acertado com o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil. Exatamente por isso, este último encaminhou à Delegacia Regional do Trabalho uma denúncia e, em agosto, abriu processo na Justiça do Trabalho contra a Normatel,  para garantir o pleno direito dos funcionários.

No final de 2012, os membros da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) e outros companheiros procuraram o Movimento Luta de Classes (MLC) para organizar melhor essa luta. Numa demonstração de muita coragem e combatividade, ao fim da paralisação os 94 funcionários realizaram, na entrada da sede da empresa, uma assembleia, enquanto aguardavam (foram três horas de espera) o resultado da reunião com a empresa.

Na mesa de negociação, onde se encontravam cinco trabalhadores democraticamente eleitos pela assembleia, os representantes da Normatel informaram, numa atitude de cinismo e irresponsabilidade, que não pagariam o reajuste e esperariam a decisão da Justiça. Nessa ocasião, um dos representantes da empresa afirmou, ao se referir à demissão de trabalhadores: “Não demitiremos ninguém; os insatisfeitos que peçam demissão”. Retornando ao trabalho revoltados, os funcionários decidiram realizar uma greve de ocupação dentro do canteiro de obras. Todos os dias se reuniam e agitavam, protestando contra os desmandos da empresa, que, por sua vez, começou a fazer uma pressão extraordinária – com assédio moral e ameaças de toda espécie – numa tentativa de dobrar os funcionários. Ledo engano: todos se mantiveram firmes.

Na ocasião, um dos cipeiros assim resumiu a situação na empresa: “Um colega nosso foi hospitalizado depois de quase perder um dedo quando uma tampa de pressão caiu sobre sua mão. O que fez a empresa? Foi à casa dele pedir que ele não abrisse um CAT (Certificado de Acidente de Trabalho), para manter as estatísticas de segurança e saber quanto tempo passaria afastado. Que absurdo! Um companheiro que quase perdeu o dedo ainda teve que enfrentar ainda essa pressão. Isso é um ato desumano, irresponsável. Só pensam nos lucros! Não podemos aceitar toda essa pressão, temos que ir à luta até o final”.

Ao fim de todas as manifestações e paralisações, a consciência de todos ficou maior e puderam perceber que não é possível confiar em patrão e que, portanto, o único caminho para a categoria, assim como para todas as outras, é muita luta.

Serley Leal, Fortaleza

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