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domingo, 25 de setembro de 2022

Venda de empresas nacionais a estrangeiros aumenta demissões

DesempregadaNa década de 1990, foi aprofundado em nosso país o processo de privatizações de empresas nacionais, com a falsa proposta de melhorar a qualidade dos serviços prestados por estas. De lá para cá, também se ampliou outro processo: a venda de empresas brasileiras para grandes grupos estrangeiros.

Segundo pesquisa realizada pela empresa de consultoria KPMG, desde 2004, foram 1.296 empresas brasileiras que passaram para o controle de grandes grupos estrangeiros, sendo 2012 o ano com maior número de aquisições: 296 empresas. Dois exemplos recentes dessas operações no Estado do Ceará foram a venda da empresa Troller para o grupo Ford e da empresa Ypióca para a multinacional britânica Diageo, dona das marcas Johnnie Walker e Smirnoff.

Essa “desnacionalização” das empresas tem consequências para nosso país, para as empresas e principalmente para nossos trabalhadores. Primeiro porque todo o lucro dessas empresas vai para fora do Brasil, ou seja, estamos enriquecendo cada vez mais os grandes capitalistas internacionais. Segundo, alguns produtos fabricados por estas empresas são retirados de linha, para eliminar a concorrência, como ocorreu com a Troller, que deixou de fabricar dois modelos para atender “exigências” da Ford. Em terceiro lugar, ocorre o fechamento da empresa comprada e a demissão de vários trabalhadores.

Fato que aconteceu recentemente com a empresa Intervet, uma empresa do ramo veterinário, situada na cidade de Fortaleza. Ao longo dos anos, esta empresa, que inicialmente era brasileira, foi sendo vendida para sucessivos grupos estrangeiros dentre os quais podemos citar a holandesa Akzo Nobel, a americana Schering-Plough e a também americana Merck.

O fechamento começou após a transição da Akzo Nobel para Schering-Plough, que aconteceu por volta de 2007. Já em 2009, uma das linhas de produção da fábrica foi encerrada, fazendo com que fossem eliminados vários postos de trabalho. Porém, os produtos não foram retirados do mercado, pois continuaram sendo fabricados por outras unidades (terceirização). A empresa veio a fechar, de fato, no ano de 2012, três anos após a fusão da Schering-Plough com a Merck, outra grande multinacional do ramo farmacêutico, ainda mantendo seus produtos no mercado, garantindo assim a continuidade do lucro para os grandes empresários.

Isso demonstra claramente, que o principal interesse desses grupos é o lucro, já que uma politica comum destas empresas é a redução de custos de todas as formas, diminuindo investimentos, enxugando o quadro de pessoal, diminuição de certos benefícios antes conquistados pelos trabalhadores e fechando unidades nas quais consideram não ser interessante investir.

Dessa forma, se estas práticas continuarem acontecendo, em breve, estaremos caminhando para uma nova forma de ditadura, “a ditadura de mercado”, onde poucos grandes grupos capitalistas detêm todo o mercado, não havendo mais concorrência, nem opções e direito de escolha. Não podemos nos tornar reféns desse sistema.

Eliza Sampaio,
Movimento Luta de Classes

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2 COMENTÁRIOS

  1. Interessante estudo.O Chá Matte Leão,algumas marcas de café(Caboclo,Pilão,Damasco) e tantos outros produtos nacionais se foram para as mãos de estrangeiros…Por que será que o Brasil não consegue conter em seu solo empresas crescendo,gerando emprego e principalmente “nacionais´´?

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