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domingo, 3 de julho de 2022

Rebelião da juventude toma conta do País

UJR nas ruasA juventude brasileira protagonizou em junho uma série de protestos e mobilizações que alcançaram cerca de 150 cidades em manifestações simultâneas, reunindo mais de 2,5 milhões de pessoas nas ruas do País.

Sem dúvida, estamos diante de um dos maiores movimentos de massa já organizados pela juventude brasileira, e esse movimento é resultado de uma série de direitos negados à juventude e ao povo, seja no acesso à saúde, educação, transporte e moradia, ou ainda na entrega do patrimônio público e das riquezas nacionais – expresso na retomada da política de privatizações e leilões –, e na alegação da falta de recursos do governo, contrastando com a religiosa manutenção do pagamento dos juros da dívida pública, os casos de corrupção em praticamente todas as esferas de poder e os bilhões gastos com a Copa do Mundo.

O estopim dessa luta se deu com o aumento das tarifas nos transportes coletivos em diversas capitais. É inegável que, nos últimos 20 anos, o sistema de transporte coletivo em praticamente todo o Brasil passou por várias mudanças: não existem mais empresas públicas operando; houve uma queda drástica na qualidade dos serviços; e o reajuste das tarifas faz com que o trabalhador, que ganha um salário mínimo, comprometa entre 20% e 25% de seu orçamento mensal com o transporte público de sua família.

Antes mesmo das grandes manifestações que tomaram o País, no início deste ano, os estudantes tomaram às ruas de Porto Alegre e barraram o aumento de passagens, reunindo mais de dez mil pessoas na Capital gaúcha. Em outros anos, cidades como Recife, Salvador, Florianópolis, Teresina e João Pessoa já tinham assistido conquistas semelhantes, e a luta pelo direito à meia-passagem em Belo Horizonte e pela manutenção do direito ao passe-livre no Rio de Janeiro tem trazido milhares de pessoas às ruas na luta pelo direito ao transporte para a juventude.

O mês de junho iniciou com o enfrentamento na cidade de Goiânia entre estudantes e Polícia, chegando a ter dezenas de jovens presos por lutar contra o aumento das passagens. Mas, sem dúvida, as manifestações na maior cidade do País, São Paulo, foram o combustível necessário para a juventude brasileira ir às ruas na luta por um transporte de qualidade e pelos seus direitos. Milhares de jovens ocuparam a Avenida Paulista contra o aumento de R$ 3,00 para R$ 3,20 concedido pela Prefeitura e Governo do Estado.

Repressão, a resposta do Estado

Diante da multidão que tomava às ruas, o Governo de São Paulo convocou a sua fascista Polícia Militar para reprimir a manifestação. Gás de pimenta, bombas de efeito moral, bala de borracha, prisões arbitrárias e muitas infiltrações nas manifestações serviram para tentar criar um clima de guerra nas ruas da cidade, e nem a imprensa, que costuma silenciar os desmandos das ações policiais, ficou a salvo, com a agressão e prisão de jornalistas ao tentar cobrir as manifestações.

Mas a tentativa de intimidação ao movimento teve efeito contrário. Os meios de comunicação, que, nos primeiro protestos, escondiam as arbitrariedades da ação policial, apresentando apenas os “danos” causados pelos manifestantes, passaram a questionar o abuso da PM. Cada vez mais, as manifestações ganharam força, e a luta dos estudantes paulistas serviu de exemplo em todo o País.

Em diversos estados existiram prisões e uma clara tentativa de criminalizar o movimento. No Rio de Janeiro, que viu o maior número de manifestantes, o estudante de Engenharia da UFRJ e militante da UJR, Caio Brasil, foi preso e permaneceu em um presídio de segurança máxima durante três dias.

Não é por centavos é por direitos

As manifestações passaram a acontecer em vários estados e, além de levantar os problemas locais de transporte, o movimento começou a tomar um caráter nacional, assumindo questionamentos mais amplos, como a falta de investimento em saúde e educação, os gastos da Copa, além de questionar projetos em trâmite no Congresso Nacional, como a PEC 37, que ficou conhecida com a PEC da Impunidade, e pela saída de Marcos Feliciano da Presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Deputados.

Em mais de 40 cidades foram revogados aumentos ou reduzidas as tarifas do transporte público, em outras, as Prefeituras e Governos se apressaram a declarar que não mais existiriam aumentos em 2013, e importantes conquistas foram obtidas, como o passe-livre para os estudantes em Vitória (ES) e Goiânia (GO).

As sedes de Prefeituras, Governos e até mesmo o Congresso Nacional passaram a ser lugar comum para os manifestantes. Em diversos atos, a Rede Globo de Televisão, que tem sua história identificada com a colaboração à Ditadura Militar e um jornalismo parcial a favor dos ricos, foi hostilizada nos atos, a ponto de seus repórteres esconderem os símbolos da emissora de seus microfones, roupas e carros. Mas de nada adiantou, e o coro de “O povo não é bobo! Abaixo a Rede Globo!” ecoou de Norte a Sul do País.

Em Fortaleza, Salvador, Brasília, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, cidades que sediaram jogos da Copa das Confederações, as manifestações em direção aos estádios contaram com milhares de participantes, e, em alguns casos, com mais pessoas do lado de fora protestando contra os gastos da Copa do que dentro assistindo aos jogos. Em Belo Horizonte, foram mais de 100 mil pessoas, e a PM entrou em confronto com os manifestantes para defender o “perímetro Fifa”.

Em época de Copa das Confederações, os ex-jogadores, e hoje empresários de jogadores e empresas esportivas, Ronaldo e Pelé, tentaram defender seus interesses econômicos e desviar da opinião pública os absurdos R$ 30 bilhões gastos para a torneio da Fifa, que durou pouco mais de 15 dias. “A Copa não se faz com hospitais”, declarou o ex-atacante e hoje comentarista na Rede Globo Ronaldo Nazário, também membro do Comitê Organizador Local. Já Pelé fez um apelo: “Vamos esquecer toda essa confusão. Vamos pensar que a Seleção Brasileira é o nosso País, é o nosso sangue. Como bem disse o deputado Romário (PSB-RJ), “Pelé calado é um poeta”.

As manifestações entre os dias 17 e 20 de junho pararam o País e exigiram resposta dos governantes. Prefeitos e governadores foram aos meios de comunicação para tentar, à sua maneira, dialogar com os manifestantes. No dia 21, a presidente Dilma foi ao ar em cadeia nacional num pronunciamento de dez minutos, propondo cinco pactos: responsabilidade fiscal, reforma política, saúde, transporte e educação.

Ao tratar da responsabilidade fiscal, a presidente falou do controle da inflação, mas nenhuma vírgula sobre o pagamento da dívida pública. Quanto à saúde e educação, Dilma prometeu mais investimentos e apresentou, mais uma vez, a proposição da destinação dos royalties do petróleo para a educação.

Por fim, sobre o transporte, a presidente repetiu a lógica de isenções fiscais, abrindo mão da arrecadação do PIS-Cofins, e anunciando a destinação de R$ 50 bilhões para obras de infraestrutura.

A luta é o que transforma!

As manifestações que tomaram conta do Brasil deram um importante recado: o caminho é o da luta! Aqueles que apostavam na acomodação do povo, numa passiva aceitação aos programas assistenciais como alternativa às décadas de sofrimento e falta de serviços públicos, estão vendo nas ruas qual é a resposta popular.

Chega de destinar bilhões para uma minoria de famílias ricas que controlam as empresas de ônibus! Queremos meia-entrada ilimitada nos eventos esportivos e culturais e passe-livre para os estudantes no transporte coletivo! Chega de engordar os bolsos da Fifa, da CBF e das empreiteiras com estádios luxuosos, deixando educação e saúde sem recursos! Chega de governar para os ricos! Queremos o povo no poder!

União da Juventude Rebelião (UJR)

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