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segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

Com apoio dos EUA, Exército já matou mais de 700 pessoas no Egito

Ditadura no EgitoApós derrubar um ditador há 30 anos no poder, eleger um novo presidente, primeiro chefe de Estado egípcio a ser eleito democraticamente, e também o primeiro islamita e o primeiro civil a dirigir o país, os egípcios, um ano depois, voltam a viver o mesmo pesadelo anterior.

Destituído por um golpe militar, com ligações ao imperialismo americano, Mohamed Morsi não conseguiu governar com as forças que o elegeram, além de manter diversos membros do regime deposto pelo povo em órgãos governamentais, numa clara tentativa de conciliação com as forças de Hosni Mubarak. Bastou essa traição e as inúmeras atitudes contra as reivindicações políticas e sociais proclamadas nas ruas pelos que o elegeram para serem criadas condições dos conspiradores armarem um golpe e devolver o país à ditadura dos partidários de Mubarak.

Morsi toma posse em 30 de junho de 2012 e, em novembro do mesmo ano, abre uma crise política ao baixar um decreto em que estende seus poderes e os coloca acima de qualquer controle judicial. Em novembro, também, aprova um projeto de Constituição pela Comissão Constitucional, que foi boicotada pela oposição de esquerda e laica, assim como pelos círculos cristãos.

Inicia-se, assim, uma série de protestos, com violentos confrontos entre opositores e adeptos do regime. Os protestos, além de causarem as primeiras mortes sob o novo regime (7), não param mais e, ao contrário, vão se intensificando. Morsi estabelece alianças à direita, aprofunda contradições religiosas ao querer governar somente para seu grupo, os islâmicos, e se separa da esquerda, dos cristãos e demais forças que se opuseram organizadamente à ditadura de Hosni Mubarak e a todas as atrocidades cometidas pelo seu regime.

No entanto, enquanto as forças de esquerda e democráticas encontravam-se nas ruas, protestando e exigindo publicamente que Morsi voltasse a governar para o povo e não para os interesses daqueles que o traiu, as forças da reação se utilizavam dos mecanismos jurídicos e institucionais do antigo regime, que não foram desmontados, para encurralar e submeter o presidente recém eleito.

Assim, após seguidas operações parlamentares e judiciais bem sucedidas, promovidas pelos inimigos derrotados, inúmeras manifestações contrárias ao governo que resultaram em centenas de mortos pelo país, o Exército, demagogicamente, exigiu que as “demandas do povo fossem atendidas”, estabelecendo uma virtual e oportunista aliança com os opositores que já reivindicavam a saída de Morsi.

Não demorou a, em 3 de julho de 2013, o presidente ser deposto pelo Exército, preso em local secreto e os confrontos entre militantes islâmicos e forças de segurança passarem a ocorrer, deixando mortos e feridos em vários pontos do país ao longo dos meses seguintes.

As acusações contra Morsi, agora, são de ter cometido atrocidades de todo tipo enquanto defendia seu governo contra as mobilizações da oposição, incluindo a ajuda que teria recebido do Hamas para escapar de uma prisão, quando havia sido detido pelo governo de Mubarak no início de 2011.

A realidade é que o povo do Egito foi mais uma vez traído pelo Exército, que prometeu novas eleições e a revisão da Constituição, mas só fez aprofundar as contradições internas e banhou o país em sangue, para submetê-lo ao imperialismo americano e europeu. Mas, os mais de 700 mortos também são fruto da falta de uma organização revolucionária que unifique as forças democráticas, patrióticas e revolucionárias do país, criando condições para o desenvolvimento das relações políticas entre mulçumanos e demais grupos religiosos; e que aponte, também, os caminhos da revolução socialista para tornar o Egito independente e autossuficiente, política e economicamente, da influência do capital multinacional e dos governos a seu soldo, que vêem nessa região do Oriente Médio um verdadeiro caldeirão revolucionário, que pode levar seus enormes interesses a serem transformados em pó.

Redação Rio

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