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quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

Drones, a nova máquina de morte dos Estados Unidos

DronesInicialmente utilizados como máquinas de espionagem, os drones, ou Veículos Aéreos Não Tripulados (VANT), passaram a ser máquinas de guerra no ataque dos EUA ao Afeganistão, em 2001, e na Guerra do Iraque, em 2003. Os drones foram empregados pela primeira vez em 1959, pelos Estados Unidos, mas o fato só foi admitido pela Força Aérea norte-americana em 1973, ou seja, 14 anos depois.

Com um operador na estação de controle no solo (GCS) e um satélite ligado a quatro aeronaves, estão criadas as condições para invadir o espaço aéreo de qualquer país, secretamente, assassinar civis indefesos, alegando que se está fazendo combate ao terrorismo. Assim foi, sob o comando da Central de Inteligência Americana (CIA), no Iraque, no Afeganistão e, mais recentemente, na Líbia, no Iêmen, na Somália e no Paquistão.

Em 2009, após um ataque ao território iemenita em que morreram dezenas de civis, entre eles mulheres e crianças, o governo norte-americano construiu uma base secreta na Arábia Saudita e, a partir dali, desferiu dezenas de ataques ao Iêmen sob pretexto de matar membros da organização terrorista Al Qaeda. O governo saudita se calou sobre o assunto e o governo americano não revelou qualquer registro a respeito. Foi num desses ataques que a CIA se vangloria de ter matado o clérigo Anwar al-Awlaki, um dos membros mais importantes da Al Qaeda depois do assassinato de Osama bin Laden, e que seria o primeiro norte-americano da lista de “prender ou matar” da central de inteligência. O clérigo era nascido no Estado do Novo México e a Constituição dos EUA proíbe que se coloquem cidadãos norte-americanos em listas desse tipo, o que causou uma forte reação das organizações de direitos humanos do país.

A mentira da luta contra o terrorismo

As ações no Paquistão, onde também existem bases da Al Qaeda, são da mesma envergadura, mas contam com a posição contrária do premiê Nawaz Sharif, obrigando Obama a se reunir com ele para tentar apaziguar o problema. Para isso foi necessária a liberação de mais de US$ 1,6 bilhão em ajuda militar e econômica ao Paquistão, ajuda que havia sido suspensa em 2011. O jornal The Washington Post informou, no entanto, que documentos secretos dos EUA revelaram que autoridades do alto escalão do governo paquistanês têm conhecimento há anos e apoiaram os ataques com drones da CIA. Eleito em junho deste ano e com repúdio da população aos ataques, o governo respondeu dizendo que “quaisquer que tenham sido os entendimentos no passado, o atual governo vem sendo muito claro em relação à sua política nessa questão”, enfatizando que considera tais ataques uma violação da soberania, bem como das leis internacionais.

Já somam pelo menos 65 os ataques com drones nos últimos anos no Paquistão, segundo o Washington Post chamados, ironicamente, de “pontos de diálogo” pela CIA. De acordo com a Anistia Internacional, ONG com sede em Londres, as mortes de civis acontecem às centenas e ninguém responde por elas. Ano passado, diz a Anistia, após apresentar minucioso relatório, foram assassinados por aviões não tripulados uma avó que colhia para a neta legumes em sua horta e 18 trabalhadores, na localidade de ZowiSidgi, sendo um deles de 14 anos, que conversavam à sombra. “Pessoas que claramente não são uma ameaça iminente aos EUA, não estão lutando contra os EUA, estão sendo mortas. Os EUA têm de se explicar claramente com justificativas para esses assassinatos”, sentencia Mustafa Qadri, pesquisador da Anistia que escreveu o relatório.

O Exército e a CIA trabalham juntos no Iêmen: a CIA voando com seus drones sobre a região norte a partir de sua base na Arábia Saudita e o Exército voando com os seus a partir de Djibuti. Só no Paquistão foram 3.336 mortos por esses ataques, desde 2003, de acordo com a New America Foundation. A Anistia Internacional considera que “os EUA podem ter cometido crimes de guerra no Paquistão”.

Estudo da HumanRightsWatch analisa seis ações com drones americanos contra alvos em território iemenita. A ONG conclui que os bombardeios mataram mais civis do que militantes. Um dos ataques, por exemplo, provocou 57 vítimas “colaterais”. Outro matou um clérigo muçulmano que pregava contra a Al Qaeda.

Da mesma forma, LettaTayler, responsável pelo estudo, diz que “estamos muito preocupados que o fracasso da Casa Branca em mostrar que esses ataques estão de acordo com a lei internacional possa criar um perigoso precedente para outros países”, pois com a quantidade de mortes de civis e o sigilo das operações é altamente provável que outros países – aliados ou não de Washington – comecem em breve a fazer uso dessas armas (só EUA e Israel já realizaram ataques com drones).

Corrida armamentista

Enquanto esse debate internacional esquenta, a indústria norte-americana da guerra desenvolve microdrones, que servirão para segurança interna do país e de suas cidades, mas também para assassinar cidadãos de outros países ou mesmo grupos de pessoas;microdrones do tamanho de uma borboleta, chamados de “Switchblade”, que carregam uma carga do tamanho de uma granada, foram utilizados pelas Forças Armadas dos EUA, segundoJohn Horgan, professor do Stevens Instituteof Technology e autor de quatro livros sobre o assunto.

Mais de 50 nações já têm a tecnologia, bem como grupos como o Hezbollah. Oficiais de segurança dos Estados Unidos estão tão preocupados com a ameaça de terrorismo com drones que já executaram simulações de ataques em um programa chamado “Black Dart”. Empresas de defesa como a Procerus Technologies agora desenvolvem um software que permitirá que drones rastreiem e destruam outros drones.

Assim se desenvolve a indústria da morte e da guerra, confiando em que a tecnologia será maior que o ser humano, que superará todos os limites para a obtenção do lucro e que os homens não alcançarão as condições de se revoltar contra todos os crimes cometidos em seu nome e que não serão capazes de impor suas verdadeiras necessidades de uma vida harmônica, voltada para o bem-estar e a liberdade. Enganam-se: a humanidade está muito mais perto de se libertar desse regime do que imaginam os imperialistas com suas máquinas de guerra.

Marcos Villela, Rio de Janeiro

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