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segunda-feira, 28 de novembro de 2022

A guerra não declarada

A guerra não declaradaVivemos uma gigantesca onda de violência em nosso país. Estima-se que entre 2008 e 2011 mais de 200 mil pessoas foram assassinadas no Brasil. O mapa da violência no Brasil 2013, estudo elaborado pelo sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz e publicado pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino Americanos, mostra que os números da violência no Brasil estão em uma crescente: em 1996, a taxa de homicídios da população total era de 24,8 por 100 mil habitantes, em 2011 e cresceu para 27,1. Entre os jovens, a taxa era de 42,4 por 100 mil e cresceu para 53,4.

Nem se pode atribuir esses elevadíssimos números ao tamanho do Brasil e à quantidade de população, já que a China, país mais populoso do mundo tem a taxa de homicídios de 1 por 100 mil e a Índia, segundo país mais populoso tem a taxa de 3,4 por 100 mil.

Os homicídios são a principal causa de mortalidade da população jovem, entre 15 e 24 anos, sendo a taxa de 53,4 por 100 mil, praticamente o dobro em relação à população total e, apesar de representarem 18% da população, o número de assassinato nessa faixa etária gira em torno de 36%.

Importante destacar também a questão de raça/cor. Verifica-se que entre 2002 e 2011,o número de vítimas negras cresceu de 26.952 para 35.297, um aumento de 30,6%. Entre os jovens, em 2011, 76,9% dos assassinatos foram contra negros.

Vê-se, assim, que estamos vivendo um verdadeiro extermínio da população jovem pobre e negra de nosso país!

A cultura da violência disseminada amplamente pelo Estado e pelos meios de comunicação é forte fator que contribui para disseminação da violência. A militarização da polícia, fascista e autoritária, que comete diversas atrocidades contra a população jovem nas periferias e a impunidade também contribuem para aumento desse número.

Importante ressaltar que a impunidade também tem seu viés de classe. Sabe-se que a probabilidade de um assassino ser efetivamente preso e cumprir sua pena é absurdamente menor que a probabilidade de ser preso aquele que comete um delito contra o patrimônio, um furto, por exemplo, apesar desse ser crime sem violência ou grave ameaça: apenas 11,84% da população carcerária praticaram crimes contra a vida, enquanto 75,25% realizaram crimes contra o patrimônio ou relacionados à drogas.

Claro, numa sociedade capitalista em que o dinheiro é mais importante que a vida, é fácil entender porque tem mais gente presa por crimes contra o patrimônio do que contra a vida. A justiça também é seletiva.

 Raquel Brito, advogada

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