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segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Jogadores se unem por melhores condições de trabalho e contra o autoritarismo da CBF

Jogadores se unem por melhores condições de trabalho e contra o autoritarismo da CBFO Bom Senso FC é uma iniciativa de alguns dos principais atletas de futebol que atuam no Brasil, tendo como principal objetivo reavaliar e alterar o calendário que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pretende impor para 2014 em relação ao Brasileirão, Copa do Brasil e Campeonatos Estaduais.

De acordo com os atletas, a sequência de jogos é abusiva, com excesso de viagens, além do tempo restrito para a recuperação física dos jogadores, prejudicando não somente a saúde do atleta, como também a qualidade do espetáculo.

A ideia surgiu durante um “papo de boleiro”, entre o meia-atacante Alex, do Coritiba, e o zagueiro Juan, do Internacional, ambos ex-integrantes da Seleção Brasileira, após a partida válida pela 17ª rodada do Brasileirão deste ano, quando, no tradicional hábito da troca de camisas, falaram sobre o péssimo desempenho em campo apresentando pelas duas equipes.

A partir da ideia do baixo desempenho, os dois começaram a debater o que estava levando não só ao cansaço excessivo pós-jogos, mas também ao alto número de contusões e lesões graves entre os atletas. Diante daqueles fatos, deduziram que o excesso de jogos no ano, além de grandes viagens, desgastavam os atletas, forçando o máximo da estrutura física dos jogadores.

Após aquele “papo rápido”, começaram a conversar com outros atletas para analisar as conclusões e perceberam que as reclamações eram muito parecidas.

A partir disso, além de Alex e Juan, outros jogadores resolveram se unir numa luta inédita no futebol brasileiro. Entre estes, o meia botafoguense Seedorf, o zagueiro corintiano Paulo André, o goleiro são-paulino Rogério Ceni, o meia-atacante palmeirense Valdívia e jogadores de outros clubes, não só entre os gigantes nacionais, como clubes de alcance regional, que buscam nesta iniciativa uma redução no número de jogos e a diminuição de longas viagens em curtos períodos. Exemplo: na Série B do Brasileirão, um clube jogue em Belém, no Pará, na terça-feira, e, na rodada seguinte, na sexta-feira subsequente, joga em Florianópolis, Santa Catarina.

O Bom Senso FC apareceu para a sociedade após o lançamento do calendário da CBF para 2014. Uma página foi criada no Facebook com o mesmo nome, além de um perfil no Twitter designado @BomSensoFC , mostrando a todos a total indignação dos atletas.

Para 2014, a famigerada CBF apresentou um calendário com início da temporada em 12 de janeiro e término em 08 de dezembro. Apesar do intervalo no período de Copa do Mundo, o tal calendário pulverizou a pré-temporada, já que muitos clubes encerram os trabalhos ao fim de dezembro e só voltam aos trabalhos em janeiro, tendo assim somente uma semana para montar time, organizar as contratações e os jogadores, sem tempo hábil para a recuperação física necessária após o período de férias.

O Bom Censo FC também cobra transparência nas contas da CBF e dos clubes, justificando a necessidade de os clubes gastarem menos e investirem em infraestrutura, e a participação dos atletas nos conselhos técnicos e administrativos da entidade, fortalecendo decisões mais democráticas. O movimento também lançou uma nota e participou de uma reunião com a cúpula da CBF, onde as reclamações foram colocadas. Aguarda-se uma posição da entidade máxima do futebol brasileiro sobre as reivindicações.

No Congresso Nacional, o ex-jogador Romário, deputado federal pelo PSB do Rio de Janeiro, articulou, junto à Comissão de Turismo e Desporto, uma audiência pública para tratar sobre o caso.

O clima de manifestações populares que tomou conta do Brasil a partir de junho parece ter influenciado e encorajado os jogadores brasileiros, que resolveram bater de frente com o autoritarismo e desmandos da CBF e sua aliada principal, a Rede Globo de Televisão, que é a dona do direito de transmissão dos principais campeonatos e impõe seus horários e datas, com partidas tendo que iniciar às 22h, num país onde a insegurança é gritante e a precariedade dos serviços de transporte público foi um dos estopins para a jornada de lutas do povo brasileiro.

João Carlos, estudante de Educação Física-Universidade Federal do Ceará

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