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quinta-feira, 7 de julho de 2022

Prazos da FIFA para as obras da Copa matam três trabalhadores no Itaquerão

ItaqueraoPrevista para abrigar a abertura da Copa do Mundo da FIFA em 2014, a Arena Corinthians, mais conhecida como Itaquerão, foi palco de um triste acontecimento na manhã desta quarta-feira (27.11), a morte de três operários em um acidente com um guindaste. Em nota a FIFA disse que “a segurança de todos os trabalhadores tem sido sempre de suma importância para todas as companhias encarregadas da construção dos doze estádios da Copa.” No entanto, não é o que diz o laudo do Ministério Público, que foi emitido em agosto do ano passado.

O laudo do MP apontava nada menos do que 50 irregularidades a serem corrigidas com urgência para que a obra pudesse seguir com segurança. A medir pela insegurança que causou a morte dos operários, as recomendações do MP não foram seguidas. O promotor José Carlos de Freitas afirmou que solicitará um parecer do Corpo de Bombeiros sobre o acidente desta quarta-feira.

As entidades sindicais e os comitês populares da Copa já vem denunciando irregularidades na preparação deste megaevento há muito tempo. São despejos forçados, repressão policial, greves e paralizações nas obras. As reivindicações centrais dos operários que trabalham nas obras da Copa, são sempre por melhores salários e condições de trabalho. Em 2011, durante uma greve de operários do Maracanã o então ministro dos esportes Orlando Silva (PCdoB-SP) pediu que os operários fossem patriotas e torcessem para o Brasil e para que os prazos fossem cumpridos.

Há dias que a imprensa esportiva pede pressa nas obras da Copa. A FIFA por sua vez, faz do atual ministro dos esportes Aldo Rebelo (PCdoB-SP) um fiscal de obras, exigindo celeridade nas mesmas. O governo aperta as construtoras para que estas “andem mais rápido”. Daí já viu onde esse jogo de pressão vai estourar né? Nas costas dos operários, que além de ganharem mal, trabalham em condições insalubres e tem que trabalhar com prazos apertados. O resultado disso? Ontem foram três mortes, três famílias que não terão mais seus entes queridos para as festas de final de ano. Até a Copa não se sabe o saldo, mas parece que já começamos a ver o tão falado legado da Copa.

Desse jeito, a FIFA, a CBF, as empreiteiras e os patrocinadores enchem seus cofres e os operários trabalham feito loucos para isso, vendo seus companheiros morrerem em acidentes. É, desse jeito fica muito difícil ter patriotismo.

Yuri Pires, São Paulo

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