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quinta-feira, 7 de julho de 2022

Gama Filho e UniverCidade: federalização já!

ato Ugf e UC 2Nas últimas semanas, ganharam grande destaque nos noticiários as manifestações dos estudantes de duas das mais tradicionais universidades privadas do Rio de Janeiro, a Universidade Gama Filho (UGF) e o Centro Universitário da Cidade (UniverCidade).

Há dois anos, estudantes, funcionários e professores dessas instituições enfrentam diversos problemas, em especial aumentos sucessivos nas mensalidades, demissões em massa e fechamento de unidades. A empresa responsável pela gestão das duas universidades, o Grupo Galileo Educacional, é acusado de lavagem de dinheiro, apropriação indébita de recursos públicos e sonegação de impostos.

Até agora o Ministério da Educação (MEC) não conseguiu dar uma resposta satisfatória para os estudantes e, recentemente, buscando o caminho do menor esforço, anunciou o descredenciamento das duas universidades e a transferência assistida de todos os alunos, deixando mais de 13 mil estudantes sem saber como e onde irão concluir seus cursos.

Em resposta, mais de dois mil estudantes da Gama Filho e da UniverCidade, organizados por seus DCE’s e Centros Acadêmicos, e com o apoio da UNE, da UEE-RJ e dos DCE’s de outras universidades, com a UFRJ e a UNISSUAM, foram seguidas vezes às ruas do Rio de Janeiro denunciar a mercantilização da educação e exigir a federalização das duas universidades, bem como a responsabilização do Grupo Galileo Educacional. Até um acampamento em Brasília foi montado para cobrar do MEC uma saída para o problema.

É grande a dívida histórica que nosso país tem com a educação, principalmente quando o assunto é o ensino superior, onde quem manda são os chamados tubarões da educação. De fato, atualmente, pouco mais de 6,7 milhões de jovens são universitários, sendo a maioria (74%) estudantes de instituições privadas.

Os quatro maiores grupos econômicos do setor da educação superior (Anhanguera, Kroton Educacional, Estácio Part e SEB) possuem juntos ações avaliadas em mais de R$ 1,8 bilhão. A crescente presença do capital estrangeiro e a monopolização da educação superior são as principais ameaças à boa formação dos estudantes, pois encaram a educação como mera mercadoria. Por isso, é preciso pôr fim ao controle do capital sobre a educação e estatizar todo o ensino do país.

Os casos da Gama Filho e da UniverCidade são apenas a ponta do iceberg. É urgente regulamentar o ensino pago, proibir a entrada de capital estrangeiro no setor e exigir das universidades privadas a prática de ensino, pesquisa e extensão, a transparência na gestão financeira e a proibição de aumentos abusivos nas mensalidades, caso contrário, assistiremos cada vez mais estudantes tendo seu futuro ameaçado para saciar a fome de lucros dos tubarões da educação.

GabryelHenrici, diretor da UEE-RJ e militante da UJR

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