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quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

Cemig contrata agentes da ditadura para perseguir sindicalistas

paralisacao sindieletroSindicalistas do Sindieletro, Sindicato dos Eletricitários de Minas Gerais, foram constrangidos hoje (15) com a presença de ex-agente do DOI-CODI, órgão de repressão e torturas da ditadura militar, em atividade sindical em uma das portarias da Cemig, Companhia Energética de Minas Gerais, empresa comandada pelo governo do estado (12 anos do PSDB).

Acompanhe relato do sindicalista Jobert Fernando de Paula, do Sindieletro e do Movimento Luta de Classes.

“Como sindicalista do Sindieletro há 5 anos e com orgulho à frente da  luta dos trabalhadores da Cemig contra o governo que mais atacou os trabalhadores na história de Minas Gerais, enfrentamos nos últimos anos um pacote de perseguições, ataques e processos de todos os tipos, sempre no sentido de enfraquecer nossa luta e nos abalar física e emocionalmente.

Na data de hoje, 15 de outubro de 2014, estávamos em atividade sindical na portaria de uma das mais importantes bases operacionais da empresa fazendo uma panfletagem, atividade corriqueira da nossa função. Ao final da panfletagem, nos deparamos com uma figura diferente próxima a nós, sempre nos cantos, à espreita, tentando disfarçar o indisfarçável. Era mais um “araponga” contratado pela Cemig para vigiar nossa atividade, comumente monitorada por gravações de áudio, vídeos e fotografias.

Quando fizemos uma provocação dizendo alto que o governo do Estado, há 12 anos comandado pelo PSDB, contratava agentes da ditadura para nos perseguir, o sujeito saiu da espreita e partiu para o ataque verbal. Disse que era militar reformado, que atuou na ditadura e que eu estava falando mentiras, uma vez que pela minha idade certamente não havia vivido o período, que ele atuava com servicos de inteligência para mapear assassinos e terroristas. Respondi a ele que a história nos mostra outra coisa e que ele e seus comparsas perseguiam, matavam e torturavam estudantes, sindicalistas, militantes de movimentos sociais e todos aqueles que eram contra a “ordem” vigente, a ordem imposta pelo chumbo. Ele ficou extremamente nervoso e, já com a idade avançada, mas com a cabeça de quando tinha vinte e poucos anos, disse que foi do DOI-CODI (percebi muito orgulho em sua declaração) e que eu não sabia o que eu estava falando. O bate-boca ficou tenso, ele entrou no carro e algumas pessoas que estavam perto acharam que ele pegaria uma arma. Não me intimidei com isso, convicto do meu papel de tornar público essa situação. Dissemos que iríamos denuncia-lo na Comissão da Verdade e que provavelmente ele deveria ter sido um dos muitos torturadores do DOI-CODI, centro das prisões arbitrárias, torturas e mortes efetuadas pelos agentes da ditadura, que escreveram com sangue dos trabalhadores um dos períodos mais sombrios da nossa história. Aos gritos e apontando o dedo mostrando extremo nervosismo, ele saiu acelerando o carro e esbravejando em tom de ameaça.

Ele não estava ali mapeando terroristas e assassinos, estava nos mapeando, sindicalistas que lutam contra a exploração dos trabalhadores. Assim como na ditadura, esse é o papel desses agentes. Ele sim, ao nos vigiar e monitorar, está promovendo o terror.

Isso não aconteceu entre 1964 e 1985. Foi hoje, nesse democracia que aí está. E pode piorar. Cresce o fascismo no país, a intolerância em todos os aspectos, os ataques às organizações da sociedade civil e o discurso de ódio a tudo que represente a luta dos trabalhadores.

Não vamos nos intimidar! Vamos permanecer firmes na luta contra a extrema direita e pela liberdade!

Estavam presentes nesse ato:

Jobert Fernando de Paula,
Jose Carlos Souza,
Gonzaguinha Almeida e
Douglas Silva, todos do Sindieletro-MG.

Belo Horizonte, 15 de Outubro de 2014.

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