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quarta-feira, 6 de julho de 2022

Estudantes de Odontologia da UFRN fazem atendimento em ocupação de Natal

Odonto MLB 1Estudantes de Odontologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) resolveram “adotar” a Ocupação 8 de Março, em Natal, coordenada pelo Movimento de Lutas nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), para realizar atendimentos odontológicos. Nas discussões de sala de aula em várias disciplinas, perceberam a importância de atender quem mais precisava do serviço.

Os estudantes saíram do seu “lugar comum”, saíram dos muros da universidade e identificaram os problemas daquela comunidade, constataram suas necessidades e carências e resolveram atuar. Com o entendimento de que o cuidado em saúde não deve ser focado apenas na boca, que o atendimento deve ser ampliado, mais humanizado, enxergando o paciente como um todo, com suas individualidades e com sua história e contexto social, cerca de 160 moradores da ocupação foram atendidos, entre idosos, adultos, adolescentes e crianças. Os dentistas em formação levaram para essa ocupação a ideia de que todos têm o direito à saúde bucal gratuita e de qualidade. A intervenção também levou os estudantes a pensarem mais sobre a função social da profissão que escolheram.

2014-10-02 19.26.31Com o apoio de professores das disciplinas de Cariologia, Clínica I e Saúde Bucal Coletiva I, da Coordenação do Departamento de Odontologia e do Centro de Ciências da Saúde e dos estudantes da turma 101, a Odontologia fortaleceu a relação que deve existir entre a academia e a comunidade.

A saúde bucal no Brasil

A cárie dentária ainda constitui um importante problema de saúde pública (CYPRIANO et al., 2004). Ela permanece com elevada prevalência em quase todas as faixas etárias e constitui um problema crítico das condições de saúde geral. A cárie possui origem microbiana, porém,  a sua  determinação social  é muito forte. Fatores como acesso à informação e serviços e questões socioeconômicas determinam o adoecimento ou a saúde. Isso se percebe em exemplos simples: pessoas mais pobres têm mais doenças bucais, perdem mais dente, tem mais dificuldade de atendimento por falta de cobertura dos postos de saúde e por tratamentos particulares serem bastante caros.

Apesar dos avanços obtidos em relação à saúde bucal com a implementação do Brasil Sorridente (2004), da fluoretação coletiva da água em alguns estados e de o número de dentes cariados, perdidos e obturados (CPO-D) da população ter diminuído, no geral, nos últimos anos, há grupos populacionais em que a situação de saúde bucal ainda é bastante precária. Infelizmente, isso se deve à existência de desigualdades regionais dentro das cidades e entre as regiões do país. As capitais apresentam melhores condições do que as cidades do interior, e as regiões Sul e Sudeste possuem melhores condições do que o Norte e o Nordeste. Essa desigualdade também se percebe na avaliação de que, nas classes mais ricas, a cárie praticamente desapareceu, no entanto, nas classes mais pobres, ela ainda é prevalente e provoca interferência na qualidade de vida das pessoas, causando sofrimento, dor, mutilação e também comprometimento estético, o que dificulta a sociabilidade, a conquista do emprego e a autoestima.

O Sistema Único de Saúde (SUS, preconiza que o serviço de saúde deve garantir a universalidade, integralidade e equidade. Garantir a saúde a todos (universal), em todos os níveis/ especialidades (integral) e de forma equitativa (dar mais e mais rápido a quem mais precisa).

Samara Martins, estudante de odontologia da UFRN

Referências:

COSTA, Simone de Melo.  Determinantes sociais da cárie dentária em adultos de municípios do entorno de Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. 2012.

BASTOS, João Luiz Dornelles. GIGANTE, Denise Petrucci. PERES, Karen Glazer. NEDE, Fúlvio Borges. Determinação social da odontalgia em estudos epidemiológicos: revisão teórica e proposta de um modelo conceitual. Ciência & Saúde Coletiva, 12(6):1611-1621, 2007.

Projeto SBBrasil 2010. Relatório Final.

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