UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

segunda-feira, 4 de julho de 2022

A retomada do Centro Popular de Cultura em Campos dos Goytacazes

CPC Campos dos Goytacazes

Os Centros Populares de Cultura foram organizados na década de 1960, numa época de efervescência social no Brasil. O povo brasileiro tocava um vigoroso processo de lutas naquele período em nosso país. O Comando Geral dos Trabalhadores (CGT) realizava greves, as Ligas Camponesas mobilizavam o campo, e a União Nacional dos Estudantes, contando com o apoio do CPC, colocava-se em movimento pela reforma universitária. O governo progressista de Jango, ao propor as chamadas reformas de base, entrava em conflito com os interesses dos setores empresariais e latifundiários, apoiados pelo imperialismo norte-americano. Estes arquitetam o golpe que colocaria o Brasil no rumo do injusto desenvolvimento capitalista, ampliando as desigualdades sociais, o endividamento público, além da já conhecida política de tortura e assassinatos dos militantes e intelectuais que pediam por democracia.

Antes e durante a Ditadura, os movimentos culturais da juventude cumpriram também um papel de resistência, seja no teatro de Arena, de São Paulo, ou nos CPCs espalhados pelo Brasil, ou mesmo após o golpe, com o Show Opinião. Os artistas e intelectuais faziam da cultura crítica uma trincheira de luta que buscava resgatar o “sentimento de pertencimento”, de uma vontade coletiva, entre os brasileiros. Fruto desse movimento, destacam-se as produções teatrais que dramatizavam questões como a dominação imperialista, a elitização do ensino superior e o subdesenvolvimento.

O renascer do CPC em Campos dos Goytacazes

O grupo socialista CPC Pedreiro Amarildo, fundado em Campos dos Goytacazes, no Norte fluminense, propõe resgatar a tradição da arte engajada, tão necessária nos dias de hoje. É uma entidade cultural de agitação política, que está em turnê com a peça teatral Escravos Modernos, que trata de forma simples a condição de exploração do povo trabalhador. Já em sua primeira apresentação na UFF, a peça foi recebida com entusiasmo pelos estudantes. Entretanto, não nos limitaremos ao âmbito do movimento estudantil, e estamos caminhando em direção aos assentamentos de trabalhadores rurais e nos colocando à disposição dos sindicatos de luta dos trabalhadores.

Entendemos que ajudar a contar a história dos trabalhadores e trabalhadoras que construíram tudo que aí está é uma das tarefas mais importantes que temos com a arte. No Município de Campos, os índios Goytacá, primeiros habitantes destas terras, foram expulsos pelos colonizadores. Guerreiros, sua história continua na periferia do conhecimento.

Aos negros escravizados que construíram o canal Campos-Macaé sobraram os guetos e as “casas populares”, novas favelas com superfaturados cimentos coloridos. Com os camponeses não é muito diferente. Cortaram cana de sol a sol para os usineiros como escravos, e infelizmente continuam nos dias de hoje na luta pela terra, sem obter grandes conquistas na região. A cultura das elites se impõe. Os fazendeiros são homenageados com seus nomes em ruas da cidade, enquanto lideranças dos trabalhadores continuam completamente desconhecidas. É preciso valorizar a cultura popular, trazendo as consciências das pessoas para a luta.

A trincheira cultural

Em um cenário de crise do capitalismo mundial, não devemos nos iludir de que o sistema está em crise de hegemonia, ou seja, a ideologia das elites permanece predominante, ditando a tônica das artes, fortalecendo o comportamento individualista, cumprindo seu papel de confundir as pessoas. O discurso da intolerância contra as chamadas minorias, por exemplo, está em alta. É uma verdadeira ascensão dos setores fundamentalistas no Brasil, utilizando o discurso de ódio e preconceito, comprovando para nós o caráter fascista da extrema-direita raivosa.

É necessário despertar mais e mais as pessoas à medida que a crise se agrave e a insatisfação se acentue no seio da sociedade. Por isso, dizemos que é fundamental fortalecer as mídias independentes. Jornais como o A Verdade, sites, canais no YouTube, revistas, as redes sociais, as rádios comunitárias, etc., são poderosos espaços de resistência. É preciso também utilizar os mais diversos campos da arte para motivar e organizar a nossa juventude. Seja pela música, pelo teatro, pela literatura, pela produção audiovisual, enfim, seja lá como for, a juventude está convocada a criar revolucionariamente, como criava os CPCs da UNE, agora, no entanto, com maior diversidade de mídias. Hoje temos a internet, diferente do que tinham os CPCs, em 1961.

Temos que ocupar os espaços e criar novos espaços da classe para a classe, resgatando a tradição dos Centros Populares de Cultura no país e fortalecendo o ideário revolucionário, movendo para frente a luta antifascista e anticapitalista.

Bruna Machel, secretária de Movimento Social do CPC Pedreiro Amarildo

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