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Enchentes atingem populações pobres pelo Brasil

enchente acre (1)

No começo do ano, é previsto o início do período chuvoso na maior parte do Brasil, sendo muito comuns os alagamentos das casas, deslizamentos de barreiras, inundações de ruas e destruição de moradias com saldo de feridos e mortos. Assim, já houve casos de enchentes em diversas cidades do País, como as capitais Rio Branco, São Paulo e Recife. As causas das enchentes urbanas estão relacionadas às chuvas, e são agravadas em virtude da impermeabilização do solo, lixo nos bueiros, erros de projeto (drenagem insuficiente) e a ocupação irregular do solo, além das mudanças climáticas com o aumento do período das secas e intensidade das chuvas em todo o planeta.

Em Rio Branco, foi registrada a maior enchente da história do Acre. Mais de 50 bairros residenciais foram inundados e também áreas comerciais, como o calçadão da Rua Benjamin Constant, no Centro da cidade, onde funciona o camelódromo, levando enormes prejuízos aos pequenos comerciantes. Foram mais de 87 mil atingidos, sendo cerca de nove mil desabrigados.

Na capital e no interior de São Paulo, apesar da tão esperada chuva dos últimos dias, em virtude da falta de água para consumo humano no Sistema Cantareira, a chuva provocou enchentes e alagamentos. Na Zona Leste paulistana, a chuva deixou diversos bairros alagados. O poluído Rio Tietê transbordou e atingiu centenas de moradores nas suas casas.

No Recife, o período chuvoso teve início e vem sendo acompanhado com apreensão dos moradores dos morros e das áreas baixas da cidade. Um exemplo é o da população que mora próxima a uma barreira que separa os bairros do Alto do Pascoal e Bomba do Hemetério, na Zona Norte. A população que vive no Alto do Pascoal tem receio que o morro desabe e leve as casas. Já quem mora na Bomba do Hemetério, na parte de baixo, tem receio de que o morro deslize e soterre seus imóveis.

Com as chuvas intensas, não ocorre o escoamento da água, que começa a ser represada nos pontos de estrangulamento, como bueiros entupidos de lixo e os canais. A impermeabilização é a principal responsável pelas enchentes nas cidades, já que a água da chuva, após atingir o solo, só pode evaporar, seguir em lado através do escorrimento ou infiltrar. Como só haverá infiltração se o piso for permeável ou semipermeável (que é o que não acontece com o concreto, o asfalto e os paralelepípedos das ruas brasileiras), esta realidade ocasiona uma grande quantidade de água para o escorrimento superficial, tornando verdadeiros rios as principais ruas das nossas cidades.

O destino do lixo e a insuficiente cobertura na sua coleta nas áreas periféricas e de difícil acesso, além da falta de educação ambiental da população, fazem com que o lixo seja jogado nos canais e nas encostas. A drenagem deficiente pode ser por erro do projeto estrutural, mas, mesmo sendo feito corretamente, com o passar do tempo, aumenta a densidade demográfica e o consequente grau de impermeabilização do solo, devido à pavimentação das áreas verdes pelos moradores.

A ocupação irregular do solo, com a construção de moradias, geralmente feita pela população de baixa renda, é de modo geral vista como a principal causa. É fato que existem áreas nas cidades e arredores, que não deveriam ser ocupadas, como as margens dos rios e as áreas de dunas e com matas nativas, as encostas acima de determinada cota e os mangues, entre outras áreas. A consequência das chuvas intensas são as enchentes, que provocam doenças, prejuízos e atrapalham o trânsito, além dos danos materiais com a destruição parcial ou total dos imóveis, veículos, móveis e utensílios domésticos da população de baixa renda.

Várias são as soluções previstas, a exemplo do aumento dos drenos e canais para facilitar o escoamento das águas; a captação da água da chuva, a partir dos telhados e pisos; bacias ou lagoas de infiltração, para diminuir a vazão máxima das enchentes; pisos permeáveis, para aumentar a infiltração e diminuir o escorrimento; prevenção dos desmatamentos, para que não ocorram os assoreamentos; a diminuição do lixo jogado nos canais de drenagem; e o aumento das áreas verdes, para aumentar a infiltração, etc.

Na realidade, a mais importante medida nas grandes cidades é uma profunda reforma urbana, que começaria com um duro golpe à especulação imobiliária, com a desapropriação de todos os imóveis vazios, já que, segundo os dados do Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) o número de domicílios vagos no País é de 6,052 milhões de unidades, e o déficit habitacional brasileiro é estimado em 6,490 milhões de unidades habitacionais.

Assim, mesmo que algumas unidades não possam ser utilizadas para moradia, com certeza, diminuiriam as construções em áreas irregulares e nos morros com perigo de desmoronamento. As famílias de baixa renda prefeririam morar em áreas planas e com disponibilidade de todos os serviços de água, esgoto e coleta de lixo, a não fazer isso em consequência da especulação imobiliária, que eleva o preço dos aluguéis e acaba expulsando a população pobre para os morros, áreas ambientais e de difícil acesso.

 Hinamar Medeiros – PE

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