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domingo, 25 de setembro de 2022

Petroleiros param em luto por mortes causadas pela precarização

Ato contra mortes na petrobras_1

Petroleiros de todo o país estão de luto pelas mortes de cinco companheiros vítimas da explosão no navio plataforma FPSO “Cidade de São Mateus”, no dia 11 de fevereiro. Além dos óbitos, 25 trabalhadores ficaram feridos.

O navio, situado no Campo de Camarupim, região de Aracruz-ES, é operado pela empresa BW Offshore, contratada da Petrobras. Atendendo a uma demanda de 2,2 milhões de metros cúbicos por dia, o “Cidade de São Mateus” contava com um efetivo de 74 profissionais, dos quais 73 eram terceirizados.

A tragédia provocou uma série de mobilizações no dia 13 de fevereiro, convocadas pelos sindicatos da base da Federação Única dos Petroleiros (FUP).

No Espírito Santo houve paralisação nas trocas de turno e trancaço no aeroporto de Vitória; Na Regap (Minas Gerais) e na Refinaria Abreu e Lima (Pernambuco) também houve corte na rendição; na Replan (Paulínia) os petroleiros paralisaram as atividades, inclusive no setor administrativo. Na Bahia houve paralisação, e as mobilizações prosseguiram durante todo o dia. Em Manaus houve uma grande manifestação na Reman e atraso no início do expediente. No Ceará os petroleiros da Transpetro, Base Maracanaú, realizaram manifestação e atrasaram o início do expediente, com adesão dos trabalhadores terceirizados.

De 1995 a 2015, já foram quase 350 petroleiros mortos, dos quais 285 cerca de (81,4%) eram terceirizados. Os números da terceirização revelam uma terrível realidade e trazem à tona a verdadeira causa do salto do número de acidentes: a política da privatização.

A grande mídia vem tentando mudar o foco das denúncias de corrupção para esconder a responsabilidade dos grandes monopólios capitalistas, detentores dos ativos de empresas contratadas pela Petrobras. Querem enganar a sociedade manipulando a informação e tentando, como que por meio de uma lavagem cerebral, fazer com que a sociedade acredite que a Petrobras está falida e que a solução é entregar todo o nosso patrimônio à iniciativa privada. A mídia tradicional esconde os rastros de corrupção e mortes deixados pelas empresas privadas que operam para a companhia. Assim, os conglomerados têm seus interesses defendidos pelos grandes meios de comunicação.

Para dar um basta nas mortes é necessário que tenhamos uma mudança estrutural no atual modelo de produção, passando pelas condições físicas do ambiente de trabalho e chegando ao planejamento de metas que não ponham a vida do petroleiro em risco. Essa reestruturação vai na via contrária aos interesses do mercado, que enxerga cada trabalhador apenas como uma fonte de lucro. Uma política séria de prevenção de acidentes não pode ser implementada sem a completa estatização da Petrobras.

Os petroleiros devem exigir do governo o compromisso, na prática nunca assumido nem por Lula nem por Dilma, de restituir o monopólio estatal do petróleo, quebrado por FHC, barrando as rodadas de leilões, devolvendo os campos que já estão sob o modelo de partilha e reincorporando as subsidiárias. Paralelamente, devemos exigir que seja arquivado o PL 4.330, que pretende ampliar a política de terceirização no país para retirar direitos trabalhistas e dificultar, inclusive, a retomada das estatais que foram arrancadas do povo brasileiro.

Emanuel Reis, diretor do Sindipetro CE/PI e da FUP

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