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quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

Quem ganha com o terrorismo hoje no mundo?

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O terror sanguinário nas últimas semanas, particularmente o de Paris na sexta-feira (13), promovido pelo Estado Islâmico não tem, nem de longe, objetivos puramente religiosos. Muito pelo contrário, as intenções são absolutamente políticas: utilizar tais meios para imprimir uma guerra prolongada aos países imperialistas, por um lado, e seus aliados, por outro. Entretanto, sua estrutura midiática e seus métodos ultraviolentos, a cada dia que passa, atraem mais pessoas dentro e fora do oriente médio, que enganados sob uma falsa bandeira religiosa promovem ataques consecutivos e de impressionante logística.

As principais perguntas são: por que utilizar o terrorismo e se é uma característica exclusiva do radicalismo islâmico? Por que o terrorismo nas nações islâmicas se desenvolveu enormemente nos últimos 30 anos? Quem realmente ganha com o caos causado pelo terrorismo hoje?

Não há nem poderá haver um conteúdo religioso no terrorismo, mas somente um “pano de fundo” para recrutar, treinar e convencer os atos praticados. Sempre, no decorrer da história, o terrorismo foi utilizado para desestabilizar inimigos, particularmente em momentos de guerra. Na segunda guerra mundial os nazistas plantavam bombas em áreas civis; no Vietnã, os norte-americanos bombardearam com gás mostarda e napalm nas áreas civis; nas guerras seguidas, Israel praticou diversos atos terroristas para expulsar egípcios, jordanianos e palestinos do seu território. Poderíamos assim dividir o terrorismo de duas formas: o oficial, de Estado, realizado por exército constituído e, por outro, o não-oficial, de grupo paramilitar, não estatal.

O Estado Islâmico é um grupo radical de linha ideológica sunita, organizado nos últimos anos para combater o Estado Sírio e Iraquiano, ambos destroçados pelos EUA e UE. Assim como ele, a Al Quaeda, de Osama Bin Laden, organizada no começo da década de 80, foi criada para combater o Estado Soviético. Fora esses, existem ou existiram outros vários grupos ao redor do mundo.  Na história, muitos sucumbiram. O ETA (Exército de Libertação da Região Basca) lutava pela independência da parte norte da Espanha. O IRA (Exército Republicano Irlandês) lutava pela independência da Irlanda do Reino Unido. Ambos, radicais cristãos. Logo, não são características exclusivas dos islâmicos a utilização do terrorismo.

Obviamente, como qualquer movimento social, é preciso estudar a história para entender um pouco mais sobre os motivos de atualmente o Oriente Médio concentrar tais grupos. Nos últimos 50 anos, a região do Oriente Médio, Norte da África e Ásia, particularmente no Paquistão, existiram diversas tentativas de desestabilização dos governos constituídos. Na maioria desses países, a ditadura sempre foi imposta pelos países imperialistas para defender seus interesses. Algumas chegaram a ser derrotadas, mas sofreram revezes e nunca houve estabilidade política suficiente para consolidar uma vontade popular. Pelo contrário, países como EUA, França, Inglaterra, entre outros, financiaram corruptos e autoritários, derrubaram governos democráticos, financiaram grupos terroristas para garantir o saque da riqueza daquelas nações, principalmente o petróleo.

Em 2001, o terrorismo ganhou contornos maiores com a destruição do World Trade Center, em Nova Iorque, promovida por sauditas membros da Al Queda, e com a conivência de George W. Bush. De lá pra cá, os norte-americanos imprimiram diversos ataques e ocupações para saquear o Iraque e Afeganistão, hoje países que mais recrutam terroristas. Com isso, as tensões se intensificaram. Em 2011, a situação agravada por uma intensa crise econômica mundial gerou uma imensa mobilização popular que culminou com a chamada primavera árabe e que levou os serviços secretos dos países imperialistas a uma estratégia desesperada pra não perder o controle. Assim, ao invés de combater ou diminuir o terrorismo, os norte-americanos e europeus, através da Arábia Saudita, financiaram diversos grupos terroristas que eles chamaram de “rebeldes”.

Logo, o crescimento do radicalismo naquela região está ligado fundamentalmente à exploração daquelas nações, aos bombardeios e ocupaçõe, ao saque das riquezas, à desestabilização política, enfim, por várias decisões tomadas pelos imperialistas. Agora, produto de um processo de desenvolvimento de alguns anos, surgiu o ISIS (sigla em inglês do EI) com dinheiro ocidental e saudita que domina uma região do tamanho do estado de Alagoas e Sergipe juntos, recolhe impostos, assalta cidadãos e vende petróleo. O grupo conseguiu reunir diversos  menores e cresce.

No meio dessa disputa econômica e guerra, somente os trabalhadores são vítimas. Um conflito com métodos terroristas que assassina agora franceses inocentes, aproximadamente 127, segundo dados confirmados. Assassinam sírios e milhões abandonam suas terras. Assassinam russos, como foi a derrubada do avião da Metrojet, e jordanianos, na quinta-feira passada. Os imperialistas, os maiores responsáveis por tudo isso, têm total justificativa para venderem suas armas e continuarem o morticínio. As lágrimas e demonstrações de solidariedade deles não passam de teatro no jogo sujo da guerra.

Toda à solidariedade aos povos francês, jordaniano e russo!  Chega de imperialismo e terrorismo! Pela paz e pelo socialismo!

Serley Leal, Ceará

 

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2 COMENTÁRIOS

  1. A ETA não é um grupo religioso e foi criado a partir de um movimento socialista. Um ponto interessante é que falar sobre o caráter religioso como fachada é bem ignorante, quem conhece sabe que mesmo não expressando, os muçulmanos ainda acreditam que os pecadores devem ser punidos (visto alguns vídeos de palestras muçulmanas).
    Basicamente o que vejo nesse texto é uma grande tentativa de achar conspiração em um evento muito triste, assim como os que negam as mortes causadas pelo holocausto (negacionismo) tentam negar as reais causas desses atentados para o que mais lhe convêm.

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