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domingo, 3 de julho de 2022

Robertshaw tenta promover demissão em massa

O dia 28 de janeiro de 2016 foi um dia marcante para 450 operários e operárias (que são maioria na fábrica) que voltavam de férias coletiva da empresa Robertshaw na cidade de Caxias do Sul – Rio grande do Sul. Esta multinacional Americana que fazia a produção de termostatos e utensílios eletroeletrônicos, situada a mais de 50 anos no mesmo local, vinha recebendo ao longo de todos estes anos incentivo fiscal; agora, depois de não pagar água, luz e aluguel fecha as portas e se dirige para a Zona Franca de Manaus, aonde terá mais isenção de impostos e taxas.

A opção do fechamento da fábrica foi orientação direta da direção da empresa. Comandada pelos magnatas que ficam encastelados nos EUA, decidirem transferir a produção para Manaus investindo mais de 60 milhões em sua nova fábrica. O que fica claro é que dinheiro não falta na maior empresa da produção de termostatos e eletroeletrônicos do mundo. Ela que já adquiriu a Ranco, Paragon e Uni-Line, assim produz todo o tipo de equipamento, desde válvula de gás ao chip de celular e até mesmo o controle remoto. O que justamente falta para a burguesia é a sensibilidade, pois nada mais insensível do que você fazer demissão em massa justamente depois das férias coletiva!

Assim iniciou o ano para essas famílias, escravizados pela ganancia da classe dos ricos que só quer saber de mais e mais dinheiro. Com essa prova vemos que apenas a coletivização as riquezas produzidas e que elas não mais devem ser concentradas na mão de minorias. Devemos não só socializar as fábricas e partilhar as riquezas por elas produzidas, mas também gerar uma condição de trabalho obrigatório na sociedade até porque a classe dos capitalistas não trabalha, vive como sanguessuga similar a outros parasitas do reino animal.

Para a técnica em eletrônica Letícia Andreis de 24 anos, em entrevista ao jornal local, as demissões foram uma surpresa e não sabe como vai conseguir manter as contas devido ter investido em um apartamento e pagar a faculdade de publicidade e propaganda.

– O jeito é fazer o acerto da rescisão e batalhar por outro emprego. As dívidas já vão bater na minha porta.

A questão é que a burguesia age de má fé em todos os casos, nega a existência das pessoas, pensando apenas no capital acumulado. Na cidade de Caxias do Sul a realidade não passa a ser diferente. Até o final do ano de 2015 na cidade, foram extintas mais de 14 mil vagas. Melhor dizendo: 14 mil famílias, com a necessidade de comer e de ter um lugar para dormi

A surpresa para os patrões

Pós o anúncio pela representação da empresa em São Paulo Kecy Ceccato (diretora de RH), afirmando que já havia entregado todo o maquinário em Manaus e que a posição da transferência de sua sede seria irreversível; o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 4° região suspendeu as demissões da Robertshaw, garantindo o efetivo de trabalho da categoria até o dia 26/02, conforme liminar ajuizada pelo Sindicato dos Metalúrgicos. Nesta mesma data as 14 horas terá reunião marcada com a classe patronal, sindicato e tribunal para decidir o rumo do processo.

Esta vitória mesmo que paliativa, deveria manter o trabalho conforme documento aprovado dia 15, porém o que se viu nestes três dias foram os portões fechados e a polícia privada da empresa hostilizando quem tentasse entrar. Tanto a negociação como o desfecha dela, vimos que o motor vem sido a luta de classes e a ação de mobilização da categoria. A empresa já anunciou que não há volta – “ a unidade está fechada”, tudo por mais isenções fiscais, ou seja, contribuições da empresa para com a população e mais facilitação por parte da cidade e estado o que tende ao aumento da exploração da classe.

A única coisa que resta aos trabalhadores é a sua organização e por mais que o sindicato venha atuando dentro das questões legais, prova-se inútil perante a mobilização de luta de massas. Devemos admitir que tanto esta via legal é extremamente limitada quanto a própria atitude da empresa é totalmente em um marco ilegal, ilícita e insensível, esta última principalmente quando falamos das tantas famílias que vão passar dificuldades.

Está na hora da categoria radicalizar. O trabalho sempre foi efetivado pela vontade de homens e mulheres e não pela ganancia e o lucro. Sempre na necessidade de alimentar a mesa de casa e ter uma noite tranquila sobre um teto digno que o povo trabalhador edificou o mundo capitalista atual. Precisa-se agora tanto edificar uma nova sociedade baseada nos princípios comunistas, como combater as demissões impostas pela burguesia imperialista, a exemplo das experiências vitoriosas da Fabrica Fasipat na Argentina e das fábricas tomadas na Venezuela dentro da Comuna de Lara é que conseguiremos derrotar os empresários e manter o trabalho e o emprego de toda uma classe.

Movimento Luta de Classes (MLC) – Rio Grande do Sul

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