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domingo, 3 de julho de 2022

Modesto e os trabalhadores

modesto-da-silveiraSe foi Modesto da Silveira com suas nove décadas de vida. Sua vida dará um lindo livro. Deve ter sido o advogado que mais defendeu presos políticos na última ditadura. Perdeu, como todos nós, a votação da Lei de Anistia no Congresso biônico do General Figueiredo.
Modesto, deputado federal pelo PMDB-RJ, tinha autoridade para ser o relator de uma proposta que representava os anseios dos familiares dos mortos e desaparecidos, dos perseguidos, dos cassados, dos exilados.
Contribuiu para a derrota por CINCO votos o cagaço da esquerda reformista e dos “progressistas” que negociavam a transição pacífica, gradual e segura, que não punia os mandantes dos crimes da ditadura, nem os torturadores. Essa Anistia aprovada até hoje fode toda iniciativa de punição e reparação.
Qualquer juiz ou os inúteis e enricados desembargadores derrubam com canetas que escrevem com pus fétido qualquer pedido, inquérito, representação baseados na Lei de Anistia que dormita no colo de um supremo ministro denominado Fux. O Brasil já foi condenado na Corte Interamericana de Diretos Humanos e, entre outras coisas, foi obrigado a criar a CNV, a Comissão Nacional da Verdade. Sabiam?
No mínimo esses supremos seres deveriam determinar que perseguido não é igual a perseguidor. Que os que cometeram as graves violações, desaparecimento forçado, sequestro, tortura sejam punidos como os criminosos de guerra. Isso é legislação internacional que o Brasil é signatário. Pois então, cumpra-se! Como gostam de dizer os magistrados.
MODESTO E OS TRABALHADORES
Modesto assinou a representação contra a Volkswagen no MPF-SP, em 23 setembro de 2015. Pagou a própria passagem e, tendo lido o texto e feito sugestões, veio e assinou junto com as dez centrais sindicais brasileiras e outros juristas, presidentes de Comissões da Verdade e [email protected]
No emocionado discurso relembrou a luta popular e os Comitês pela Anistia. Se colocou ao lado dos trabalhadores e claramente responsabilizou o empresariado pelo golpe de 64 e pela manutenção do regime militar.
Choremos, pois, camaradas e [email protected] essa grande perda. Modesto já estava também envolvido na batalha da Campanha REPARAR JÁ pela denúncia da Petrobrás.
Parte da esquerda anda macambúzia e reclama muito da vida. Muita gente não percebe que o livro a escrever é o das oportunidades perdidas. É verdade que a burguesia não brinca em serviço, mas nunca brincou. Não tira férias na luta de classes. Só reclama da burguesia quem tem ou praticou ilusões de classe.
Pranteio a morte de Modesto. Abomino os que abandonaram a possibilidade dum projeto democrático popular. Sabíamos que uma revolução não deriva de uma eleição. Mas uma simples audição do discurso extrarordinário de Allende, com o La Moneda bombardeado quando se dirige aos trabalhadores, mostra a diferença de postura num campo democrático popular no enfrentamento com a burguesia e golpistas. Não estou falando aqui duma revolução proletária.
Pois é, se não se faz mais uma esquerda como antigamente, digo que não se tem mais democratas da estatura de Modesto da Silveira.
Vida que segue.
Punhos ao alto para saudar esse grande democrata.
Vida longa aos que lutam!
Sebastião Neto, 26/11/2016

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