UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

segunda-feira, 4 de julho de 2022

Humildade, autoconfiança e combatividade: as chaves para a vitória da Unidade Popular

UP e PCR Anhangabaú 2016 (32)

Sem depender de um centavo das classes dominantes, ou seja, com total independência dos ricos e de suas empresas, foi iniciado, em outubro de 2016, o ousado processo de construção da Unidade Popular pelo Socialismo (UP), e, em apenas quatro meses, os militantes já comemoram 136 mil fichas coletadas. Esse avanço que conseguimos impõe reflexões importantes, para que, no prazo estabelecido, possamos ter êxito, aproveitando e potencializando nossas forças.

Para isso, sugiro a combinação de três qualidades, aparentemente contraditórias, mas que devem fazer parte do nosso cotidiano de constante ação para transformar a realidade: humildade, autoconfiança e combatividade.

Digo humildade, pois, apesar de ser um grande feito conquistar 136.808 assinaturas nas difíceis condições que enfrentamos, ainda é pouco frente ao que precisamos fazer para obter a legalização de um novo partido de esquerda em nosso país. Desse modo, precisamos de muita humildade para que continuemos nosso diálogo com parte considerável da classe trabalhadora, de igual para igual, como bons filhos que somos dela, ligando nossa construção aos seus problemas mais sentidos.

Precisamos também de muita autoconfiança. Não confundamos essa afirmação com arrogância, sentimento de superioridade ou algo do tipo. Minha referência aqui é sabermos confiar em nossas próprias forças e nas forças das classes exploradas e oprimidas, ainda sem partido, mas esperançosas por mudanças reais a seu favor. Confiança em nossas ideias, em nossas lutas e nossa capacidade de criar e agrupar novas forças para o enfrentamento aos ricos e seus privilégios nesse país.

Combatividade, elemento central que guia nossa militância pelas veredas escarpadas do conhecimento, da capacidade de juntar a vontade com a ação, a teoria com a prática, juntar o sonho com a capacidade de exercê-lo na realidade.

Estamos diante do final de um ciclo onde um partido dito de esquerda chegou ao poder e errou, no fundamental, por aderir à conciliação com a burguesia em vez de combatê-la; acabou se afastando da classe trabalhadora e foi derrotado. Sabemos que a falida tese da conciliação de classes já levou a “esquerda” na década de 1960 também ao fracasso, ao confiar numa inexistente “burguesia nacional progressista” e não se preparar para o combate ao um golpe militar, que se efetivou e impôs 21 anos de muita repressão, assassinatos e terror estatal contra o nosso povo, em especial com a eliminação de centenas de comunistas e revolucionários. Através de uma atenta análise dos erros de ontem e hoje, podemos e devemos aprender a assimilá-los e superá-los, única forma de resgatar um projeto realmente consequente, revolucionário e, portanto, de esquerda.

Fazemos essas reflexões porque estamos diante de uma brutal crise econômica, acompanhada de outras “crises”, dentre elas, a política, que expõe a cada dia um sistema econômico e social em decadência, o capitalismo, que funciona para atender as necessidades de uma ínfima minoria da população, o 1% mais rico que manda e desmanda em nosso país. Falamos da necessidade de não perdermos a nossa perspectiva em superar as desigualdades, a fome, a miséria, pois uma das características mais marcantes de um sistema em decadência, que caminha para morrer, é convencer a todos que não há saída e, com isso, tentar abraçar todas as outras ideologias, em especial a que se propõe a derrotá-lo, para morrer junto com ele.

Por isso mesmo, todos e todas que entendem a necessidade de um mundo novo devem se atentar a combater incessantemente a descrença, o ceticismo, o derrotismo. Não, não é o fim! A política não é toda igual, não são todas as propostas corruptas e nem todos tem um preço. Os valores de um mundo novo, do socialismo e de uma moral que contribua para a vida, para a melhoria do mundo, nunca morreram, nunca deixaram de existir.

Nascemos de um processo de lutas, dialogando com os derrotados, convencendo alguns, mas tendo clareza que o centro do nosso trabalho é ganhar os milhões de trabalhadores e trabalhadoras, incorporá-los à UP, fazê-los protagonistas das mudanças.

Traduzindo todas essas perspectivas, para combinar humildade, autoconfiança e combatividade, devemos centrar fogo no processo de coletas das assinaturas, intensificar as lutas, protagonizar e participar de todas que estiverem de acordo com nossos propósitos, impulsionar nossas comissões estaduais e municipais, montar nossos núcleos em cada bairro, favela, ocupação, vila, escola, universidade, empresa, fábrica, crescer, acumular forças, vencer as dificuldades, legalizar a UP e seguir em frente buscando sempre a vitória.

Leonardo Péricles é presidente da Executiva Nacional da UP.

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