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Na Europa, trabalhadores entram em greve contra coronavírus

Foto: ReutersFoto: Reuters

Na Itália, os três principais sindicatos do país pediram o fechamento de todas as fábricas, exceto as que prestam “serviços públicos essenciais” e o setor de saúde, a fim de “higienizar, proteger e reorganizar todos os locais de trabalho”.
Davi Dias
Militante da UP em Campos dos Goytacazes (RJ)


Nas últimas semanas, a Itália foi tomada pelo coronavírus. O país já tem a maior incidência de mortes no mundo, ultrapassando a China. Como forma de conter a disseminação do vírus, o governo italiano decretou quarentena, fechando escolas, parques, academias, ruas, estradas, fronteiras, aeroportos… mas não fechou as fábricas. Com medo de verem seus lucros caírem, patrões exigiram o comparecimento de trabalhadores nos supermercados, estaleiros, fábricas, docas e siderúrgicas.

Tal medida revoltou os trabalhadores europeus. Preocupados com o fato de seus empregadores não garantirem proteção contra a propagação do vírus, eles desencadearam greves espontâneas nos locais de trabalho. “Tudo está fechado, mas as fábricas não estão fechadas. é como se a saúde dos trabalhadores viesse depois do lucro”, afirmou revoltado o secretário-geral da central sindical Fiom-Cgil, Pietro Occhiuto, em entrevista ao jornal italiano Il Giorno.

Dessa forma, as greves tomaram toda a Itália, de norte ao sul. Na Ligúria, ao norte, os trabalhadores do estaleiro Fincantieri, onde um trabalhador apresentou resultado positivo para coronavírus, declararam uma greve na quinta-feira (12/03), que se espalhou para outros estaleiros da península. Já os trabalhadores de Ilva, uma usina siderúrgica na região sul da Apúlia, entraram em greve por 10 dias devido à falta de equipamento de proteção.

Os três principais sindicatos italianos (Cgil, Cisl e Uil) pediram o fechamento de todas as fábricas, exceto as que prestam “serviços públicos essenciais” e o setor de saúde, a fim de “higienizar, proteger e reorganizar todos os locais de trabalho”.

As greves cresceram ao ponto de fazer o primeiro-ministro Giuseppe Conte mediar uma solução via videoconferência. Após 18 horas de negociações, os trabalhadores conquistaram uma vitória quando sindicatos e empregadores assinaram um protocolo garantindo a segurança do local de trabalho através do uso de redes de segurança social e redução ou suspensão do trabalho. Mas os trabalhadores não quiseram esperar por esse entendimento e já antes de assinado o protocolo, ocorreram greves em todo o país em fábricas de empresas como Electrolux, Toshiba, Black & Decker, Toyota, Iveco e Whirlpool.

A revolta não se limita à Itália. A Espanha também tem um dos maiores índices de contágio do mundo, tendo recentemente superado os mil mortos. Na cidade basca de Vitoria-Gasteiz, uma fábrica de Mercedes Benz também parou a produção de sua planta devido a uma greve vitoriosa dos cinco mil trabalhadores da empresa, depois que a multinacional havia mandado os empregados de uma de suas fábricas comparecerem ao trabalho apesar de um caso confirmado de infecção, com outros 23 de quarentena.

Em outros países afetados pelo novo coronavírus, greves também estão acontecendo diariamente. Nos EUA, o sindicato United Auto Workers (UAW) apoiou paralisações de funcionários de fábricas da GM, Ford e Fiat Chrysler, que interromperam a produção em diversas cidades por medidas de segurança e preservação de saúde. Nos estados de Michigan, Indiana e Ohio, trabalhadores também cruzaram os braços, mesmo contra a vontade dos sindicatos. Em Detroit, a prefeitura fechou o sistema de transporte público municipal depois que a maioria dos motoristas se recusou a comparecer ao trabalho por preocupações com o vírus.

Essas não serão as únicas lutas de trabalhadores pelo direito a proteger sua saúde. Outras virão. São eles os que realmente produzem toda a riqueza da sociedade. A burguesia não se importa com a saúde dos que produzem suas riquezas e pensa acima de tudo em como lucrar mais. Somente a luta e a paralisação da produção impedirá os planos destes empresários gananciosos de ganhar ainda mais dinheiro a custa do povo.

Ao que tudo indica, também aqui no Brasil viveremos a explosão de greves e paralisações contra o COVID-19, e Unidade Popular (UP) estará na linha de frente da luta da classe trabalhadora pela segurança no trabalho e pela preservação da vida.

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