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Trabalhadores do telemarketing em Florianópolis têm a saúde em risco

MOBILIZAÇÃO – A Unidade Popular Pelo Socialismo foi lutar ao lado dos trabalhadores da Flex. (Foto: Jornal A Verdade)

O que foi relatado pelos trabalhadores foi justamente o que já se imaginava, confinamento de centenas de pessoas em salas fechadas, refeitório compartilhado por todos e equipamentos sem a esterilização adequada.
Jahy Pronsato

FLORIANÓPOLIS – Em meio a uma tentativa mundial de contenção do Covid-19 por parte da Organização Mundial da Saúde e dos governos, o Brasil enfrenta não apenas o novo Coronavírus, mas também a irresponsabilidade de seu presidente, Jair Bolsonaro que, contaminado pelo projeto neoliberal, fez o mais absurdo pronunciamento na última terça feira (24), pedindo o fim da quarentena e dizendo que era preciso que o povo voltasse ao trabalho, pois, segundo o mesmo, o que se enfrenta mundialmente não passa de uma “gripezinha”. O presidente esquece, porém, que essa “gripezinha” já causou mais de 16.000 mortes no mundo e aproximadamente 60 em nosso país e com mais de 2.200 casos confirmados.

Como reflexo de seu discurso, os grandes empresários já abraçaram a ideia de poder manter o lucro à custa da exploração dos trabalhadores mesmo em tempos de pandemia mundial. Um bom exemplo é o caso da empresa de telemarketing Flex, da cidade de Florianópolis (SC) que, dois dias depois do discurso do presidente, e com o apoio do governador Moisés (PSL), já esta reabrindo suas sedes pela cidade, colocando centenas de trabalhadores em risco de contaminação não apenas deles, mas também das suas famílias. Entre os riscos que os trabalhadores estão correndo, temos o fato dos ônibus fretados que levam dezenas de trabalhadores para o trabalho aglomerados onde, ao chegarem na empresa, se aglomeram novamente, em maior número, nas salas onde trabalham e no único refeitório.

Frente essa situação, a Unidade Popular pelo Socialismo foi até uma das sedes da empresa para conversar com os trabalhadores a respeito da situação ali estabelecida, divulgando panfletos informativos sobre o Covid-19 e convidando os trabalhadores para lutar pelo “direito à quarentena e à vida”. O que foi relatado pelos trabalhadores foi justamente o que já se imaginava, confinamento de centenas de pessoas em salas fechadas, refeitório compartilhado por todos e equipamentos sem a esterilização adequada. O que pairava nos discursos dos trabalhadores era o medo, a incerteza, a indignação. Além disso, a Unidade Popular fez a formalização de uma denuncia no Ministério Publico do Trabalho, onde se relatou, por parte do MPT, que em menos de dois dias já haviam sido feitas cinco denuncias à mesma empresa, que já prevê a abertura de mais uma sede no dia de amanhã, mostrando sua total falta de preocupação com os seus trabalhadores para garantir seu lucro.

O Jornal A Verdade conseguiu uma entrevista com uma das trabalhadoras da empresa para exemplificar a realidade dos trabalhadores da empresa.

A Unidade Popular dialogou com os trabalhadores da Flex e denunciou o discurso do Presidente Jair Bolsonaro. (Foto: Jornal A Verdade)

Como você vê as condições de trabalho na empresa Flex? O salário é justo? Há condições de saúde pro trabalhador adequadas?

As condições de trabalho são boas, referente ao salário é um salário mínimo mais comissão sobre o que é vendido, uma comissão bem ruim, por ser um trabalho muito desgastante mentalmente acho que tinha que ser um pouco melhor o salário, pois o ambiente em si deixa muitas pessoas doentes com depressão e ansiedade sem contar o estresse diário devido a função de telemarketing. Em relação à saúde o ambiente é bem higiênico recebe manutenção durante o dia todo devido ao grande fluxo de pessoas.

O que você acha de a empresa voltar ao funcionamento agora, no auge da transmissão do coronavírus? Como isso pode afetar a sua família?

Acho muita irresponsabilidade, pois não adianta muito apenas lavar as mãos e usar álcool gel, pois no ambiente há mais de 160 pessoas, caso um funcionário pegue a empresa em geral estará em risco, isso afeta de um modo muito grande a minha família, pois convivo com pessoas que têm problemas respiratórios e crianças.

O que você achou do pronunciamento do Bolsonaro ontem, comparando o coronavírus com uma “gripezinha”? Você vê alguma ligação do governo do país, estado e da cidade com o fato das empresas voltarem?

O pronunciamento do “nosso excelentíssimo” Presidente foi um ato de plena irresponsabilidade, pois em um momento que vivemos uma [pandemia] onde todos os órgãos da saúde e governantes mundiais estão de acordo com a quarentena para prevenir que a epidemia se prolifere mais, Bolsonaro age de forma irresponsável pensando apenas em dinheiro e na economia do país. Bolsonaro não pensa na saúde do povo, ele não vê que não tem dinheiro nenhum que compre a nossa saúde. O fato de as empresas voltarem às atividades está ligado ao pronunciamento do nosso presidente, pois ele é considerado a força maior apesar de que ultimamente ele está pensando mais na economia do Brasil do que na saúde do povo brasileiro. Esquecendo que os trabalhadores de classe média-baixa são os que mais sofrem com a falta de leitos na UTI do SUS.

Como você acha que essa situação pode ser enfrentada pelos trabalhadores?

Esse é o momento em que pensamos mais em nossa saúde do que no trabalho, pois sem saúde não existe trabalho, pagamos tantos imposto é esse seria o momento ideal do governo brasileiro liberar um auxílio mensal pra trabalhadores de baixa renda, e se possível achar uma forma de trabalhar direto de casa, hoje a maioria das vendas e compras são feitas online as empresas podiam achar uma forma de manter os empregados com empregos durante essa epidemia trabalhando de casa mesmo.

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