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CPTM sujeita ferroviários a riscos da Covid-19

NEGLIGÊNCIA – Tanto os trabalhadores quanto a população estão sendo prejudicados pela falta de assistência e apoio da empresa. (Foto: Reprodução/Matheus Luque)

Redação São Paulo
Coletivo Metro-Ferroviário

SÃO PAULO – Desde o início da quarentena, os ferroviários se veem extremamente expostos ao contágio do novo coronavírus. Não há nenhum plano de ação específico para atenuar o contágio e a CPTM ainda burocratiza o acesso a máscaras de proteção. Devido à falta de funcionários, já bem sentida na rede antes mesmo da pandemia, vários trabalhadores da operação têm sido transferidos compulsoriamente para bases mais distantes, levando mais tempo para se deslocar. Mesmo que o transporte ferroviário seja considerado um serviço essencial, o governo de João Doria (PSDB) não se pronuncia sobre a necessidade de aplicar testes para detectar a Covid-19 em todos os empregados da rede.

Na manutenção da CPTM, os ferroviários se sentem esquecidos. Não há nenhuma orientação específica para essa área nem a menor intenção de fornecimento de máscaras de proteção viáveis para uso na via permanente, onde o suor do trabalho pesado sob o sol inevitavelmente leva a mão ao rosto. Também não tem papel toalha e nem álcool 70% à disposição em máquinas ferroviárias, vestiários ou refeitórios, ainda que se indique necessária a limpeza de superfícies. A direção da CPTM floreia toda essa exposição ao risco, mas a verdade é que o ferroviário é um ser humano como qualquer outro, sujeito à infecção e às terríveis complicações da Covid-19. A categoria não engole esse marketing barato e está preocupada com a falta de medidas de proteção seguras. 

Medidas do Governo Favorecem Patrões

Para todo o conjunto dos trabalhadores, muitas medidas decretadas por Jair Bolsonaro para enfrentar efeitos econômicos decorrentes da pandemia parecem amparar mais os patrões do que seus empregados. De acordo com as MPs 927 (de 22 de março), 936 (de 1º de abril) e 944 (de 3 de abril), estão permitidas a antecipação de férias sem o pagamento imediato do adicional de um terço de férias; a flexibilização em segurança e saúde no trabalho; a suspensão do recolhimento do FGTS; uma linha de crédito de R$ 34 bilhões do governo para livrar, integralmente, empresas do pagamento de salários; a redução da jornada com corte de salário de até 70% e a suspensão do contrato de trabalho por até 60 dias. Acordos individuais entre patrões e empregados acima das leis trabalhistas também estão autorizados. A medida já provocou inúmeras demissões, inclusive entre terceirizados da CPTM.

Se sobram favorecimentos aos empregadores, o que nos que resta? Para trabalhadores informais ou desempregados, um auxílio emergencial de R$ 600, que nem de longe paga aluguel e alimentação para uma família num mês. Para empregados, corte de direitos, redução de salários e nenhuma garantia de permanência no emprego. Como se vê, os governos, subordinados aos mandos dos grandes ricos e banqueiros, não se empenham em amparar nosso povo mesmo em tamanha crise sanitária e econômica. Não é de hoje que sofremos com as desigualdades e as angústias sociais, mas está mais claro que o combate à pandemia da Covid-19 e a luta por dignidade passam pela organização popular para a derrubada definitiva da lógica do lucro acima da vida.

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