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Mauá: uma cidade de trabalhadores

ONTEM E HOJE – Mauá foi e é ainda uma cidade marcada pela intensa luta popular da classe trabalhadora. (Foto: Reprodução/Arquivo)

Amanda Bispo e Gabriela Torres
Unidade Popular Pelo Socialismo

MAUÁ (SP) – A décima primeira maior cidade do Estado de São Paulo, localiza-se no chamado Grande ABC Paulista. É um importante centro industrial, com empresas de diversos setores, como químico, metalúrgico, petroquímico e da louça. Em 2018, ficou na 62ª colocação no ranking nacional do Produto Interno Bruto (PIB). Mesmo sendo uma cidade tão grande e importante, Mauá é a cidade com os piores indicadores sociais da região, com grandes periferias e carências de serviços públicos para a população. Segundo o site oficial da própria Prefeitura, são gastos apenas R$ 1 mil por ano com cada cidadão em serviços como saúde, educação, assistência social, segurança, desenvolvimento econômico, trabalho e renda, entre outros.

Essa situação é de responsabilidade do Sr. Átila Jacomussi (PSB), prefeito da cidade que, devido a seus inúmeros escândalos de corrupção, passa mais tempo preocupado em evitar ser novamente preso do que administrando a cidade. Enquanto isso, os moradores seguem com os serviços públicos sucateados e sofrendo com a constante falta de água.

A primeira prisão de Jacomussi, em maio de 2018, foi em flagrante, por corrupção, depois de encontrarem R$ 85 mil em sua casa e R$ 588 mil na casa do ex-secretário de governo João Eduardo Gaspar (PCdoB), também detido e solto após habeas corpus concedido pelo ministro Gilmar Mendes. A segunda prisão do prefeito ocorreu sete meses depois, no dia 13 de dezembro de 2018. Apesar de já ter sido anteriormente acusado pelo crime de organização criminosa, corrupção ativa e fraude em licitações, o prefeito só foi afastado após ser condenado por crime de responsabilidade, por ter se ausentado da Prefeitura sem a autorização da Câmara Municipal. 

Mas os munícipes de Mauá não assistem aos problemas sem se organizar contra o que acontece na cidade. Historicamente, Mauá viveu diversas lutas e mobilizações populares, sendo, inclusive, palco de brava resistência à ditadura militar iniciada com o golpe de 1964 no Brasil. Mais recentemente, durante as eleições de 2018, um comitê antifascista da região construiu importantes mobilizações.

Hoje, frente à crise sanitária e humanitária devido ao novo coronavírus, a população vem se organizando em campanhas de solidariedade, aliada a outras cidades da região, construindo resistência frente à negligência do governo do município neste período. A Prefeitura de Mauá já vinha realizando cortes orçamentários na saúde, com contratos e licitações irregulares, superfaturou a construção do hospital de campanha da cidade, enganou a população com a construção de lavatórios públicos interditados pela vigilância sanitária por não cumprir com requisitos básicos. Além disso, o prefeito e os vereadores também não aprovaram políticas para ajudar a população a permanecer em suas casas sem trabalhar nesse período.

Omissão e Desprezo

HELENIRA PRETA – A Casa de Referencia se tornou um polo fundamental da luta das trabalhadora de Mauá. (Foto: Sara Lorena/Jornal A Verdade)

Outro problema da cidade é o fato de que o governo se mantém omisso frente à violência e ao abuso contra as mulheres. Enquanto os casos de feminicídio crescem na região, a Secretaria de Mulheres está abandonada e a única política para as mulheres na cidade é a Delegacia da Mulher. Não existem casas de passagem, casas abrigo ou centros públicos de referência que possam auxiliar e dar tratamento às mulheres em situação de violência. A única casa de referência da cidade é a Casa Helenira Preta, fruto de uma ocupação realizada pelo Movimento Olga Benário, que acolhe mulheres em situação de violência de toda a cidade e região sem nenhum financiamento da Prefeitura ou do Governo do Estado e, inclusive, por descaso do governo, não tem acesso à água encanada.

É inadmissível aceitar a gestão dos 22 vereadores envolvidos em escândalos de corrupção e um prefeito que desvia dinheiro de merenda em Mauá. Os rumos da cidade precisam ser definidos pelos próprios moradores, e isso só será possível com a construção, nas lutas, de uma alternativa popular.

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