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Mais que parabéns, direitos: sobre as mães trabalhadoras no Brasil

Movimento Olga Benário organiza rede de solidariedade as empregadas domésticas, muitas delas que são mães. Foto: Movimento de Mulheres Olga Benario

Milena de Souza, Goiânia*

Com a proximidade do dia das mães somos bombardeados com propagandas publicitárias que procuram nos influenciar a consumir presentes e construir homenagens às mulheres que nos geraram, criaram e que são culturalmente responsáveis por nós. As narrativas propagadas são de harmonia e conforto. Enquanto isso na vida real mães ocupam filas quilométricas nas agências da Caixa Econômica Federal de todo país em busca do saque de seu auxílio emergencial, de valor menor que o já insuficiente salário que seria o mínimo.

Mesmo fora de tempos calamitosos como os que temos vivido a situação das mulheres é longe da ideal. Há um déficit nacional em ofertas de creche, o que atrapalha a independência das mães, além de privar as crianças de seus direitos de socialização e aprendizado, situação que impossibilita muitas mulheres de trabalhar e as coloca sob responsabilidade financeira de parceiros muitas vezes abusivos para que tenham garantido seu sustento e de sua prole. Esse impedimento de autonomia financeira agrava as violências múltiplas vividas no ambiente doméstico e vulnerabiliza as mulheres.

Para aquelas que possuem algum auxílio no cuidado dos filhos e que conseguem, uma ocupação remunerada são obrigadas a se submeter a empregos precarizados e desiguais. As mulheres são maioria entre os cargos terceirizados e recebem até 30% menos que seus companheiros trabalhadores nas mesmas funções. Além dos desafios do mundo do trabalho, muitas ao chegarem às suas casas se deparam com os serviços domésticos, para os quais não recebem nenhum tipo de recompensa material, mesmo que lhes ocupe tempo e energia.

Mesmo com todos os contratempos, as mulheres são vanguarda. Constroem movimentos de luta por moradia, por seus diritos de gênero, pelos direitos trabalhistas e educacionais, pelas memórias de seus filhos e netos, por justiça historicamente no mundo todo. Mais perto estão a frente do Movimento de Mulheres Olga Benário, do Movimento de Luta nos Bairos Vilas e Favelas, no Movimento Luta de Classes, na União da Juventude Rebelião. Compõem diretórios estaduais e nacionais da Unidade Popular pelo Socialismo, são pré-candidatas por todo o país e lutam pela representação real do proletariado.

Em um país com ataques de um governo fascista e um genocídio sendo colocado como política de estado essas mulheres encontram-se em brigadas de solidariedade na periferia, escrevendo as informações que chegam até nós, reivindicando seus direitos e salvando vidas, como fazem sempre. O dia das mães, como todos os outros dias de todos os outros anos é uma data de luta da classe proletária, de nos fortalecermos, nos unirmos e construirmos o socialismo. Para que na real democracia às mães não sejam negados direitos de qualquer natureza. E aí sim, com o poder popular, teremos felizes dias das mães.

* Milena é Coordenadora Estadual do Movimento de Mulheres Olga Benário-GO.

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