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sexta-feira, 1 de julho de 2022

Operações da polícia impedem combate à Covid-19 em Acari

Foto: ExtraFoto: Extra

Por Esteban Crescente
Rio de Janeiro

O combate à pandemia de COVID-19 nas favelas do Rio de Janeiro tem encontrado um obstáculo nas operações da Polícia Militar nessas comunidades. No complexo de favelas de Acari, na Zona Norte, a presença ofensiva da PM impediu por duas vezes nessa semana que ações de solidariedade aos moradores fossem promovidas por entidades e movimentos sociais.

Na terça-feira (5), um morador da favela foi ferido pela polícia e só não perdeu a vida graças à intervenção dos vizinhos. “Essas ações da PM impedem que a distribuição de cestas básicas para as famílias mais necessitadas chegue aqui na favela”, contou à equipe de A Verdade um morador que preferiu não se identificar. “Não bastasse o medo de pegar o coronavírus, a gente ainda precisa torcer pra não ser atingido por uma bala de fuzil”, disse.

No dia seguinte, durante nova operação, uma das creches da comunidade foi invadida por policiais. Devido à quarentena o local estava vazio, mas em novembro do ano passado a mesma creche testemunhou ação da PM no horário de aula, levando terror às crianças e educadores, que tiveram que se deitar no chão para escapar das balas.

COVID nas favelas

Em muitas comunidades do Rio de Janeiro ações de solidariedade organizadas por movimentos sociais e pelos próprios moradores buscam diminuir as consequências da pandemia para a saúde e a manutenção da vida dos moradores. Em Acari, essas ações são encabeçadas por movimentos que atuam a vários anos na favela, como o Fala Akari, o Comitê Popular de Acari, a Associação de Moradores e centros sociais. Em muitas delas, militantes da Unidade Popular pelo Socialismo (UP) que moram na comunidade também estão presentes.

“Quando não há operação da polícia, a gente aproveita para fazer a campanha. Já conseguimos distribuir centenas de cestas básicas e kits de proteção, além de conversar com as pessoas sobre a importância do isolamento para conter a propagação da doença na comunidade”, explicou um dos coordenadores da campanha em Acari.

Um modelo de segurança pública genocida

Dados das operações policiais no Rio de Janeiro levantados pelo Jornal Extra registraram um aumento do número de pessoas feridas em confrontos envolvendo a PM. Entre 15 de março e 9 de abril de 2019, foram 111 operações e 32 feridos. No mesmo período deste ano, já sob medidas de isolamento social, foram 53 pessoas feridas, um aumento de 60%.

Outro estudo, da Rede de Observatórios da Segurança, mostra que a situação só não é pior graças à pandemia, que diminuiu o número de mortos pela polícia no Estado. Comparando os períodos de 1 a 15 de março e 16 a 31 de março, viu-se uma diminuição de 139 mortes na primeira metade do mês para 56 na parte final de março. Não fosse a quarentena, certamente os números bateriam novos recordes.

Há quem se orgulhe dessas estatísticas, acreditando que trata-se de mais segurança pública e efetivo combate à violência. Porém, uma política de segurança que não parta da garantia de direitos sociais e trabalhistas, de emprego, saúde, educação e moradia jamais trará resultados verdadeiramente positivos.

No lugar de seguir aterrorizando a população negra e pobre com incontáveis operações terroristas e cadáveres, o Estado brasileiro deveria, além de garantir os direitos sociais da população, pôr fim à guerra aos pobres, desmilitarizar as PMs, julgar os crimes de tortura e os assassinatos promovidos no período da Ditadura Militar (1964-85) e também do chamado “período democrático”.

Sabemos que essa luta encontra no sistema capitalista seu mais obstinado adversário. Por isso mesmo é que lutar contra a violência policial nas favelas é lutar pelo poder popular e socialista, onde a riqueza do país que é gerada pela classe trabalhadora dos bairros pobres, das favelas e periferias seja utilizada para salvar vidas.

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