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Mortes em massa nas periferias de Natal

IMAGEM: REPRODUÇÃO

Ezequias Rosendo

RIO GRANDE DO NORTE – Pesquisas recentes apontam que a contaminação por Covid-19 tem atingido principalmente as periferias da capital potiguar, especialmente os bairros Guarapes (Zona Oeste de Natal) e Redinha (Zona Norte de Natal), onde os índices de mortalidade são dez vezes maiores do que em Petrópolis, bairro com maior renda média da mesma cidade.

A cada 100 pessoas testadas no bairro Guarapes, 20 delas morrem, representando 20% no índice de mortalidade, já na Redinha, segundo bairro com maior índice de mortalidade, uma a cada dez pessoas infectadas morrem, 10,6% no índice de mortalidade. Esses índices chegam a ser de duas a quatro vezes maiores que a média da Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de 5,4%.

O fator econômico está diretamente relacionado à taxa de mortalidade nas periferias da grande Natal. A população pobre é a população mais vulnerável. Sem acesso a um serviço de saúde de qualidade pagam com a própria vida pelo descaso do estado burguês. A Emenda Constitucional 95 congelou as verbas do Sistema Único de Saúde (SUS) e hoje isso reflete na falta de leitos, respireadores e até equipamentos de proteção individual nos hospitais.

Além disso, a exacerbada subnotificação dos casos de Covid-19 no Brasil é mais um grave problema vivido pela população pobre, segundo o estudo Evolução da Prevalência de Infecção por Covid-19 no Brasil, coordenado pelo Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), em parceria com o Ministério da Saúde. A cada sete pessoas com coronavírus, apenas uma delas sabe que está ou esteve infectado. Essa insuficiência do governo é uma das maiores responsáveis pela proliferação da Covid19 nas periferias.

A situação do povo pobre é alarmante, visto que em tempos de pandemia a classe dominante intensifica os ataques contra os trabalhadores, negando ao povo os seus direitos mais básicos como moradia e alimentação. Dessa forma, não há outra alternativa além da organização popular na luta pela solidariedade.

Como tem feito o Movimento de Luta nos Bairros Vilas e Favelas do Rio Grande do Norte (MLB – RN), que tem promovido a distribuição de equipamentos de proteção individual, como máscaras e luvas, na intenção de contribuir com a redução da taxa de infectados nas periferias da grande Natal. Além disso, também construiu a rede de solidariedade, que com doações foi capaz de atender às necessidades de inúmeras famílias carentes através de cestas básicas com alimentação e produtos de higiene. Lutas como essa mostram que somente o povo salva o povo e ressaltam a necessidade de construir um sistema mais justo, onde a vida humana seja prioridade.

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