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Helena Greco: uma lutadora popular

Thales Viote, Secretário de Direitos Humanos do Sindicato dos Advogados de Minas Gerais (SINAD).

O dia 15 de junho foi marcado pelo aniversário de Dona Helena Greco, importante liderança popular e de esquerda em Belo Horizonte/MG. Se viva estivesse, estaria completando 104 anos. Mas, mesmo não estando mais entre nós, Helena Greco vive em nós através de sua linda trajetória de vida dedicada à luta do povo por melhores condições de vida.

Helena Greco atuou destacadamente no combate à ditadura militar fascista instaurada em 1964 pelo alto comando das forças armadas brasileiras em conluio com a grande burguesia brasileira e norte americana, tendo participado da fundação do Partido dos Trabalhadores, pelo qual exerceu dois combativos mandatos de vereadora de BH.

Sua atuação como parlamentar deve servir de farol a todos e todas que atuam nos espaços institucionais burgueses, pois, sempre colocou o seu mandato à disposição das lutas populares, não se iludindo que as conquistas de direitos e melhores condições de vida do povo seriam resolvidas sem as lutas protagonizadas pelo povo oprimido, e, ao contrário, entendendo que os espaços institucionais burgueses ocupados por pessoas de esquerda deveriam ajudar a impulsionar as lutas populares.

Exemplo dessa correta concepção de luta parlamentar é que Helena Greco participou ativamente da grande rede de solidariedade e resistência da Ocupação Vila Corumbiara, na região periférica Barreiro, da cidade de Belo Horizonte, comunidade que hoje está totalmente regularizada com o atendimento de serviços básicos de água, esgoto, luz, iluminação pública, ônibus, escola e posto de saúde.

Ao lado das lideranças que vieram a fundar o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), como as companheiras Eliana Silva e Tia Carminha, e as dezenas de famílias sem teto que deram vida a um terreno abandonado a partir do ano de 1996, enfrentou o autoritarismo e a ilusão de classe do Prefeito Patrus Ananias, que também era de seu partido político, chegando ao ponto de ela permanecer junto com as famílias dentro da ocupação cercada pela Polícia Militar de Minas Gerais que tentava o despejo ordenado pelo prefeito.

Muito importante foi também a atuação de na articulação e organização de movimentos de denúncia às torturas e perseguições políticas praticadas pelo regime militar, o que sem dúvidas colaborou para a solidariedade a diversas vítimas do regime militar e a denúncia e desgaste do poder militar que foi encerrado em 1985.

Nesse campo de batalha, Helena Greco foi pioneira em articular um movimento feminino de luta contra a ditadura militar, sendo uma das fundadoras do Movimento Feminino pela Anistia.

Como singela e importante demonstração de reconhecimento dessa liderança, a Câmara dos Vereadores de BH mudou o nome do antigo Elevado Castelo Branco para Elevado Dona Helena Greco, uma movimentada via de carros de BH, e, que constantemente, é palco de manifestações fascistas que não suportam a retirada do nome do ditador fascista substituído pelo nome da mulher com uma história ligada ao povo.

Aliás, esse também foi um dos pontos de destaque em suas histórias de lutas, que em seu primeiro mandato de vereadora no início dos anos 80, foi pioneira na revogação de homenagens de figuras comprometidas com as classes dominantes, tendo liderado o processo legislativo que retirou o nome de uma rua de Dan Mitrione (agente norte-americano que treinou militares brasileiros em técnicas de tortura) para o nome do revolucionário José Carlos da Mata Machado, ex-presidente do Centro Acadêmico do curso de Direito da UFMG, militante da resistência armada à ditadura e que foi torturado, assassinado e desaparecido pelo regime fascista de 1964.

O exemplo de Helena Grecco na luta contra o fascismo

Contudo, diante da incapacidade da conciliação de classes (que governou o Brasil até 2016) de resolver os problemas do povo brasileiro, o que vemos hoje é novamente o fascismo avançar enquanto instrumento político da grande burguesia e seu maior aparato de repressão, o alto comando das forças armadas, que, sem perspectiva de apresentar verdadeiras soluções para os problemas da carestia, desemprego e violência sofridos pelos pobres, temem pela rebelião popular que cada vez mais se aproxima diante desse quadro de fracasso do capitalismo.

Devemos mirar no exemplo de luta dessa mulher e continuar colocando em prática todas as formas de luta que ela nos mostrou e que são necessários para o combate ao autoritarismo político da burguesia, e claro, devemos, e muito, reconhecê-la por ter dedicado sua vida em na luta por um mundo livre do autoritarismo.

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