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segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

Em defesa da saúde das mulheres lésbicas e bissexuais

Ilustração: reprodução.

por Samantha Paz*

Sabemos das debilidades e da necessidade de investimentos e melhorias no nosso Sistema Único de Saúde (SUS), mas ainda pouco se fala sobre o atendimento em saúde para mulheres lésbicas e bissexuais, mulheres que se relacionam com outras mulheres em geral. Não existe hoje uma campanha ou sistema de educação sexual para mulheres lésbicas e bissexuais e há ainda muito desconhecimento sobre as IST’s que também atingem esse grupo. Além disso a maioria dos profissionais da saúde não passa por treinamento ou capacitação para atender essa parte da nossa população, portanto podem agir com desconhecimento e preconceito na hora do atendimento.

 

Uma pesquisa da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) aponta que 76% das mulheres (independentemente de sua sexualidade) realizam consultas ginecológicas anualmente. Acontece que esse índice cai para 47% quando falamos das mulheres que fazem sexo com mulheres, lésbicas e bissexuais, de acordo com o relatório Atenção Integral à Saúde das Mulheres Lésbicas e Bissexuais, do Ministério da Saúde (MS).

Precisamos fazer uma profunda reflexão do porque essas mulheres não procuram o sistema de saúde ou fazem os acompanhamentos ginecológicos necessários. Um dos principais motivos é o desconhecimento dos próprios profissionais, que por vezes não sabem nem que mulheres lésbicas e bissexuais também precisam fazer os exames de rotina como Papanicolau e exames de mama, e que elas também precisam se prevenir de IST’s  e fazer exames regulares por exemplo, muitas vezes os profissionais também não fazem questão de adaptar simples exames para que as pacientes fiquem mais confortáveis. Além disso, a lesbofobia enraizada no nosso país e no mundo afasta a maioria dessas mulheres de receberem os cuidados em saúde que necessitam, já que elas não se sentem confortáveis ao falar sua orientação sexual ao médico ou médica por medo de sofrerem lesbofobia e serem mau atendidas. Ademais, nas universidades, durante a formação dos profissionais de saúde no Brasil não existe um preparo para lidar com pessoas que não estão dentro da heteronormatividade nas suas relações.

Não existem sequer métodos funcionais e seguros de prevenção a IST’s que incluam as mulheres lésbicas e bissexuais já que a própria camisinha feminina não protege a área externa da vulva, o que dificulta muito a prevenção adequada de IST’s, além disso muitas pessoas sequer sabem como se usa uma camisinha feminina, já que há poucas informações sobre isso tanto nos postos de saúde como na educação sexual nas escolas (isso nas escolas que têm educação sexual). É uma urgência o desenvolvimento de mais métodos de prevenção para mulheres lésbicas e bissexuais e também de maior divulgação e informação sobre os existentes.

Necessitamos da capacitação de todos e todas as e os profissionais de saúde, desde a sua formação das universidades no atendimento às mulheres lésbicas e bissexuais, e à população LGBT+ em geral, também é importante a adaptação de exames de rotina para o maior conforto possível das pacientes e firme combate ao preconceito em todos os espaços, além de educação sexual nas escolas, de acordo com a idade escolar, dessa forma combatendo preconceitos desde cedo e também garantindo mais fácil acesso à prevenção de IST’s e contracepção para todas e todos.

*Militante da UJR-RS

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