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Greve dos metroviários garante direitos

GREVE VITORIOSA – Assembleia aprovou greve em São Paulo. (Foto: Reprodução/Sindicato dos Metroviários de São Paulo)

Ricardo Senese

SÃO PAULO – Na noite do dia 27 de julho, em assembleia, os trabalhadores do Metrô de São Paulo aprovaram por ampla maioria (73,38%) que entrariam em greve a partir da meia noite daquele dia. A grande adesão da categoria à paralisação se deu depois de um processo muito longo de tentativa de negociação do sindicato com o governo do Estado de São Paulo e a direção do Metrô. A tentativa de diálogo com o secretário de Transportes Metropolitanos Alexandre Baldy e a direção da empresa já se arrastava por um mês e meio, sem nenhuma perspectiva de vitória para os trabalhadores.

Tanto o governo quanto a empresa tinham por objetivo fazer com que metroviários pagassem sozinhos pelos efeitos da crise que nosso país enfrenta. O governo Dória (PSDB), que vem atacando os metroviários desde o início do seu mandato, tentou usar a pandemia como desculpa para acelerar o processo de sucateamento e privatização do Metrô e a retirada de direitos dos trabalhadores. Na prática, a greve barrou o plano da gestão PSDB de acabar com o acordo coletivo da categoria e cortar permanentemente metade do adicional noturno, extinguir a gratificação por tempo de serviço e reduzir em 10% os salários, entre outros cortes de direitos.

Mobilização Conquista Vitória

Horas depois de aprovarem a greve, os trabalhadores do turno da noite não entraram para seus postos e os piquetes nas bases cresciam conforme o tempo passava. Em poucas horas os metroviários de São Paulo mostraram o poder de sua mobilização. A paralisação mobilizou, inclusive, as trabalhadoras e os trabalhadores do Centro de Controle Operacional do Metrô (CCO), que não aderiam a uma greve da categoria há 30 anos.

Por entenderem o papel fundamental que cumprem para o restante da classe trabalhadora na cidade de São Paulo, os metroviários se dispuseram a dialogar com o governo do Estado e propuseram a manutenção do atual acordo coletivo, mesmo que não houvesse aumento real dos salários no ano de 2020, mas o secretário e a empresa não estavam abertos à negociação e pareciam duvidar da capacidade da categoria de parar a operação.

Após várias reuniões e audiências de conciliação mediadas pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT), e com a categoria de braços cruzados, o secretário Alexandre Baldy e a direção do Metrô foram obrigados m obrigados a recuar e aceitaram a proposta de conciliação do TRT. Dessa forma, os metroviários demonstraram mais uma vez a força da categoria e deram exemplo de luta por seus direitos aos demais setores da classe trabalhadora.

A empresa se comprometeu a pagar integralmente os salários, além de renovar as cláusulas do acordo coletivo até abril de 2021. Também ficou acordado 50% de adicional noturno, a manutenção do adicional de férias, a gratificação por tempo de serviço e a manutenção de 100% das horas extras.

Essa importante vitória dos metroviários deve ser comemorada por toda nossa classe e servir de motivação para o desenvolvimento de outras lutas país afora. Ainda que as condições que enfrentamos sejam duras e a mobilização e organização do povo esteja enfrentando grandes desafios, a greve dos metroviários de São Paulo mostra que a organização das trabalhadoras e dos trabalhadores é o único caminho para derrotar o fascismo e destruir os planos dos patrões e seus governos.

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