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domingo, 25 de setembro de 2022

Mulheres trabalhadoras são discriminadas pelo Governo

MOVIMENTO EM LUTA – Mesmo com o descaso do governo, Movimento de Mulheres Olga Banario segue defendendo e lutando pela vida das mulheres. (Foto: Jorge Ferreira/Jornal A Verdade)
Guita Marli

RECIFE (PE) – Dona Vânia é faxineira. Durante o período inicial da pandemia, perdeu as faxinas, se inscreveu no auxílio da Caixa, mas não conseguiu receber. Elza também trabalha como cuidadora. Como não tem emprego fixo, vive de bicos, que também sumiram com a pandemia. Mas o auxílio para ela também foi negado. A Caixa lhe deu como justificativa que ela tinha sido candidata nas últimas eleições. Precisou entrar na Justiça para conseguir o benefício.

Segundo dados da própria Caixa Econômica, 10 milhões de pessoas não conseguiram acessar o auxílio emergencial. O governo Bolsonaro resistiu em criar uma alternativa e demorou a definir o auxílio, incialmente calculado em R$ 200, um terço do valor atual. Foi só com a mobilização social que o valor acabou sendo alterado e ficou nos atuais R$ 600. Ainda assim, o governo tenta ganhar politicamente com o recurso.

Por outro lado, pelo menos outras 620 mil pessoas recebem o benefício de maneira indevida, incluindo 24 mil militares. Enquanto uns recebem o recurso de maneira irregular, milhares de trabalhadores, moradores de rua, pais e mães, mulheres chefes de família perderam seu ganha-pão como ambulantes, faxineiras e jardineiros/as, autônomos que já tinham dificuldades antes do coronavírus e acabaram por perder o emprego, ficando sem ter como sobreviver na pandemia e não conseguindo acessar o auxílio emergencial. Sem alternativa, muitos acabaram nas ruas.

Desemprego

Durante a pandemia, piorou muito a situação das mulheres. Fomos as primeiras a serem desempregadas, houve um aumento da violência doméstica, a jornada de trabalho foi ampliada. Quem foi obrigada a trabalhar remotamente teve sua carga de trabalho ampliada. Sem escola, e com os filhos em casa, acabou sobrando para a maioria das mulheres, que têm de cumprir a demanda do trabalho profissional, acompanhar a educação dos filhos e fazer as tarefas domésticas. Muitas empregadas domésticas tiveram que levar seus filhos para a casa dos patrões. Essa foi a causa da tragédia com o menino Miguel, uma clara demonstração de que a pandemia atinge diferenciadamente as classes sociais e que a luta de classes está muito presente no dia a dia dos/das trabalhadores/as. E como água não se mistura com óleo, a burguesia/patrões, e os empregados estão sempre em lados opostos. Enquanto a mãe de Miguel passeava com o cachorro da patroa, Sari, a patroa se livrava irresponsavelmente do filho da empregada, levando-o à morte.

Bolsonaro e seus aliados fascistas (organizações de ultradireita, milicianos, chefes de igrejas pentecostais, oportunistas de todos os matizes, o alto comando militar e bajuladores dos grandes empresários e banqueiros nacionais ou estrangeiros) assumiram o governo com o intuito de abocanhar as riquezas do país em benefício próprio e dos capitalistas. São endinheirados que concentram cada vez mais riquezas e vão deixando cada vez mais parcelas de pobres e miseráveis. Segundo a Oxfam, existem 700 milhões de mulheres a menos do que homens com trabalho remunerado. Mesmo entre os miseráveis existe desigualdade.

Privatizam riquezas, destroem matas e florestas com queimadas para preparar pastagem para seu gado e destroem barragens e cidades em nome da extração de minérios, como aconteceu em Brumadinho. Assim como urubus sentem cheiro de carniça, os burgueses vão devastando o solo, os rios, as florestas, a fauna, a flora, a saúde e a vida da população deste país.

Congelam o orçamento da saúde e da educação, cortam salários, faltam creches, a iluminação das cidades é um caos, falta água nos bairros onde moram os mais pobres, faltam leitos em hospitais e maternidades, e tudo que é público fica sem investimento e vai ficando cada vez mais precário. Nós, mulheres, e nossas famílias, somos quem mais sentimos com a falta de dinheiro para políticas públicas. Não há médicos nos hospitais e da mesma forma que faltam medicamentos, faltam professores nas escolas.

O governo Bolsonaro não tem compromisso com o povo e seu sofrimento. Não tem feito nada para amenizar as dificuldades da população mais pobre. Ele não está nem aí para pessoas que perderam suas vidas nem para as famílias que perderam parentes. Na cabeça deles, já gastaram demais com o povo. Para eles, povo tem que trabalhar para eles manterem suas vidas, suas riquezas, suas mordomias. Não importa se muitos se contaminem. “E daí?”, disse Bolsonaro. Enquanto uma ínfima minoria dorme em lençóis de seda, a grande maioria tem que passar até quatro horas no ônibus para chegar ao trabalho, não tem salário digno e não dorme direito pensando em como vai pagar as contas. Em um dos seus raros momentos de sinceridade, o presidente chegou a dizer que: “só fracos, doentes e idosos devem se preocupar” com a pandemia, que já matou mais de 80 mil pessoas no Brasil e não tem data para acabar. Com essa lógica genocida, elimina os mais pobres e vulneráveis da sociedade. São esses que morrem na fila de espera do hospital, sem atendimento, sem remédio, sem amparo.

No patriarcado, nós mulheres assumimos o ônus do cuidado com os doentes e com a família. É uma carga injusta e cansativa que nos castiga ao longo dos séculos. Somos nós que mais sentimos a pobreza e a falta de políticas públicas. Por isso, a luta por igualdade é tão importante, assim como a defesa intransigente da saída dos grandes repressores do povo brasileiro: Bolsonaro, Mourão e Guedes. Estamos juntas na luta por um governo popular e pelo socialismo. Nos engajando em todos os espaços que construam uma sociedade que se distancie desse modelo capitalista opressor em que vivemos. Temos que estar na política, nos partidos políticos, nas ações de rua. Por isso, nós do Olga Benario nos engajamos na UP, partido que constrói o socialismo no país e estamos juntas na construção de um novo modelo para o Brasil que tenha as mulheres, os trabalhadores e os pobres deste país como prioridade de verdade.

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