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Portuários do Pará fazem greve contra retirada de direitos

GREVE. Trabalhadores denunciam retirada de direitos trabalhistas (Foto: A Verdade / Pará)

Por Welfesom Alves
Belém (PA)

BELÉM – O Sindicato dos Portuários do Pará/Amapá e o Sindicato da Guarda Portuária realizaram ontem (31) uma grande paralisação nas atividades ligadas à Companhia Docas do Pará. Na capital Belém houve uma carreata que partiu do Terminal Petroquímico de Miramar em direção ao Edifício Sede da CDP. A pauta da categoria era a manutenção dos direitos trabalhistas conquistados. Nas cidades do interior, paralisações organizadas pelos dois sindicatos ganharam força ao interromper aproximadamente 50% do efetivo, cumprindo decisão judicial.

Ataques à categoria portuária

O projeto do governo Bolsonaro de desnacionalização e entrega do patrimônio público está em curso e nenhuma empresa estatal está livre dos interesses de lucro do ex-capitão e de seu ministro da Economia, Paulo Guedes. Ainda que as empresas estatais estejam gerando lucro, o objetivo do governo é sucatear essas empresas e precarizar o trabalho.

Assim, a direção da Companhia Docas do Pará (CDP), seguindo estas orientações, está propondo um Acordo Coletivo de Trabalho que retira direitos, entre eles a mudança unilateral na jornada de trabalho do setor administrativo, se recusando a negociar com a categoria, e alterando 40 das 60 cláusulas do ACT. Em documento elaborado pelos sindicatos, os termos aplicados à direção da empresa foram bem claros: intransigente, mentirosa, irresponsável e desumana, em especial por ameaçar uma redução da remuneração de até 40% em plena pandemia.

A equipe do jornal A Verdade esteve presente na atividade em Belém, que contou também com a participação de militantes da Unidade Popular (UP), Movimento Luta de Classes (MLC), União da Juventude Rebelião (UJR), Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB) e outros movimentos populares. Ao todo, foram vendidos 28 jornais entre a categoria ao fim do ato, que o recebeu com muito entusiasmo. “É ultrajante no meio da pandemia a gente ter que ficar indo pra frente da sede da empresa para ficar reivindicando que o governo garanta o que já é nosso”, disse o presidente do SINDIPORTO PA/AP, Dalton Beltrão.

Segundo o sindicalista, “em assembleia foi pontuado pela categoria que as ações deveriam ser diversas visando a massificação, culminando em deflagração de greve para que pudéssemos ter efetividade na nossa proposição, que era de encerrar as negociações e avançar para o dissídio através da Justiça do Trabalho. Entendemos que com o sucesso da primeira atividade o nosso movimento teria os elementos para ser vitorioso”.

Ainda de acordo com Beltrão, a direção da empresa argumenta que está seguindo as diretrizes do governo. “A pressão dos trabalhadores obrigou a CDP a assinar a aceitação de ir a dissídio. Essa foi uma vitória que fortalece a categoria, nos leva a compreender que temos um instrumento poderoso de luta que são as manifestações. Se não tiver essa movimentação nas ruas não tem como dar certo. Sem apoio de outras organizações, como a UP, o MLC e os movimentos populares, sem dúvidas seria mais difícil, pois o momento é de unidade em defesa dos direitos conquistados”, disse.

MOBILIZAÇÃO. Portuários em frente à sede da Companhia Docas do Pará (Foto: A Verdade / Pará)

Só a luta muda a vida

Para Raquel Brício, que atua junto ao SINDIPORTO PA/AP e é pré-candidata à vereadora pela UP Belém, também participou das manifestações. “A greve foi um sucesso. A carreata foi importante para denunciar à população os ataques que sofre a categoria, com retirada de direitos, e demonstrar que no momento em que os portos da companhia mais lucram, graças ao labor dos portuários, esses ataques se apresentam ainda mais injustos, desumanos e injustificados”

Ao final da carreata, que terminou com o fechamento parcial da Av. Presidente Vargas, local do Edifício Sede da CDP, a categoria aprovou em assembleia a suspensão da greve e a manutenção da mobilização para que, caso haja a necessidade, retomar as ações do movimento.

A greve na CDP prova que a classe trabalhadora segue disposta à luta por seus direitos e não permitirá passivamente que o governo Bolsonaro siga atacando o patrimônio público brasileiro. Quem luta conquista.

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