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Osvaldo Silva: “O Movimento Luta de Classes é uma ferramenta contra a exploração”

ELEIÇÕES NA CIPA – Movimento Luta de Classes (MLC) conseguiu garantir a presença de organização combativa na gestão da Cipa. (Foto: Jornal A Verdade)

Felipe Galisteo

MAUÁ (SP) – O Movimento Luta de Classes (MLC) avançou seu trabalho junto à classe trabalhadora da cidade com a garantia de eleição do companheiro Osvaldo Silva dos Santos para a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) dentro da fábrica de massas Menegon, onde ele trabalha há menos de um ano. A Cipa tem como objetivo a prevenção de acidentes e doenças decorrentes do trabalho, de modo a tornar compatível permanentemente o trabalho com a preservação da vida e a promoção da saúde do trabalhador.

Numa dura eleição, que contou com grande pressão interna na empresa, os gerentes chegaram a recomendar publicamente que os trabalhadores não votassem em Osvaldo. Mas o MLC atuou de modo coeso, incluindo panfletagem na porta da fábrica e muita conversa com os operários, para assegurar a eleição de um representante que defenda verdadeiramente o interesse da classe trabalhadora.

Em entrevista, Osvaldo conta um pouco da sua experiência nesse processo e fala sobre a necessidade de organização da luta dos trabalhadores, principalmente neste momento em que tentam arrancar cada vez mais nossos direitos.

Quais eram as condições da empresa onde você trabalha e como isso influenciou na decisão de concorrer à Cipa? O que fez a gente se dispor a se candidatar para a Cipa foi ver toda a complexidade envolvida nos processos de dentro da empresa na relação com os funcionários. Havia dificuldade de ter EPIs, luvas, máscara adequada, tudo o que seria importante neste período da pandemia. A empresa nem cogitou fornecer teste de Covid para os funcionários. Também alguns colegas reclamavam bastante dos equipamentos de segurança, principalmente pela qualidade do protetor auricular, por conta do ruído das máquinas. Além disso, a gente tinha muitas reclamações de colegas mais antigos em relação a outras questões, como assédio moral. Estou na empresa faz pouco tempo e já numa primeira reunião vi um gerente gritando com palavras agressivas de uma forma que eu nunca tinha visto antes, em nenhum lugar. Era muito esquisito aquilo! Nossos colegas tinham dificuldade de falar, de bater de frente, não podiam nem questionar nada. Um desrespeito. Isso me indignou muito e também foi uma injeção de ânimo pra buscar formas de lutar contra a situação. Então fui buscar mais informações sobre o funcionamento da Cipa para ajudar nessas questões.

E qual era a situação da Cipa até aquele momento? Descobri que todos os representantes que tinham na Cipa eram indicações da empresa, dos patrões e dos gerentes. Soube que já fazia três anos que não respeitavam a NR-5 em relação ao processo das eleições. Eles não davam condições dos trabalhadores indicarem seus representantes. Isso quer dizer que a Cipa não funcionava para os trabalhadores, era apenas um protocolo da empresa. Então começamos a correr atrás disso, porque é um direito nosso. Já nos tiraram muitos direitos nos últimos anos. Reforma Trabalhista, Reforma da Previdência, nos governos de Temer e de Bolsonaro. A gente não podia deixar nos arrancarem mais um direito mínimo dentro da empresa em que trabalhamos. Por isso, fomos à luta.

Na sua opinião, o que a Cipa pode representar na luta dos trabalhadores? Primeiro, a garantia dos nossos direitos, de termos condições dignas de segurança em nosso trabalho. Mas também acredito que uma Cipa forte, representativa, atuante, pode ser mais que isso. Ela pode ser um espaço onde os trabalhadores se organizem para fazer as lutas necessárias, principalmente onde falta ação dos sindicatos. A gente precisa lutar pelos nossos direitos e lutar para aumentar a conscientização da classe trabalhadora. Precisamos estar cada vez mais unidos, entendendo que estamos no meio de uma luta de classes, e que todos os trabalhadores têm que estar do mesmo lado.

MOVIMENTO LUTA DE CLASSES – Presente em todo o país, MLC é uma alternativa para os trabalhadores. (Foto: Jornal A Verdade)

E de que modo o MLC colaborou nessa luta por sua eleição na Cipa? O MLC foi extremamente importante nesse processo! Acho que não teríamos conseguido nos organizar sem o apoio do movimento e, por isso, hoje estou integrado a ele, porque vi como funciona a gente se organizar. Já conhecia um dos integrantes por conta de outras lutas e fui conversar sobre a situação na empresa em que trabalho e, no mesmo momento, os companheiros do MLC nos ouviram, nos acolheram para ajudar, para orientar no processo. Estudamos juntos a NR-5, estudamos alguns textos, matérias do jornal A Verdade, coisas que eu não tinha conhecimento antes. Isso foi fundamental pra gente entender a ferramenta de luta que a Cipa pode ser nas mãos dos trabalhadores.

Você gostaria de dizer mais alguma coisa aos trabalhadores e trabalhadoras sobre essa experiência de luta na sua fábrica? Quero dizer, do fundo do coração para meus companheiros trabalhadores, que não se calem. Eu sei que tá difícil o momento, falta emprego, faltam oportunidades de trabalho e os patrões sabem disso, porque faz parte de um projeto deles para precarizar cada vez mais os nossos direitos e inibir a nossa força de vontade de lutar. E nessa experiência que passei, aprendi que não podemos ficar acuados, precisamos correr atrás do que é nosso, precisamos lutar por nossos direitos. Sugiro, inclusive, para todo mundo que estiver passando por uma situação de opressão no seu trabalho que procure pelos companheiros do MLC, porque tenho certeza que, assim como eles ajudaram a nos organizar na nossa fábrica, podem ajudar você também.

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