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Nasce a Rede de Apoio Psicológico Nise da Silveira para Mulheres em Porto Alegre!

por Equipe Rede Nise da Silveira do Movimento de Mulheres Olga Benario – RS

PORTO ALEGRE – Diante da pandemia da Covid-19, as mulheres enfrentam um acúmulo ainda maior de responsabilidades que interferem diretamente na sua saúde mental. E para agravar mais a situação, o desmonte do SUS limita o acesso a acompanhamento psicológico através da rede pública,

Nós do Movimento de Mulheres Olga Benário, acreditamos que nossa luta precisa de ação e formação e por isso estamos, desde julho de 2020, construindo a Rede de Apoio Psicológico Nise da Silveira no Rio Grande do Sul, que visa articular profissionais psicólogas para reivindicar e também fornecer acesso a acompanhamento psicológico gratuito para mulheres trabalhadoras que não podem arcar com os custos desse serviço.

A nossa Rede é composta por um conjunto de mulheres, psicólogas voluntárias e militantes, dispostas a acolher, ouvir, amparar, sustentar e apoiar. Tem por objetivo ajudar a enfrentar situações difíceis e de crise, oportunizando espaço de escuta profissional e bem estar de outras mulheres. Uma rede serve para segurar algo precioso com cuidado, atenção e dedicação!

O cuidado com a saúde mental tem papel fundamental na luta por uma sociedade mais justa, trata-se do fortalecimento de mulheres que têm a batalha na sua rotina. Mas não basta o acesso, o objetivo do projeto é construir uma visão da psicologia voltada para as mulheres, buscando desprender-se de características elitistas, racistas, machistas e LGBTfóbicas.

Ao longo da vida, vivenciamos muitas situações de crise, muitos momentos desafiadores. E, importa saber que as crises são transitórias, passam e marcam o caminho com aprendizado pessoal e emocional. Um acompanhamento psicológico pode ser uma ferramenta necessária para auxiliar a lidar com conflitos e beneficiar positivamente para tomada de decisões de forma mais crítica e respeitosa consigo mesma.

Nos meses de agosto a dezembro de 2020, alguns dos assuntos mais recorrentes nos atendimentos das mulheres, além da questão econômica e do trabalho, foram o desconhecimento dos próprios direitos nas relações, por vezes instáveis, e sentir-se responsável pelo bem-estar e cuidado familiar. Entre as jovens, dificuldades de comunicação e aceitação da homossexualidade pelos pais, dependência financeira, necessidade de planejar e estabelecer planos. Aparecem nesse processo vivências de violência, de racismo e inexistência de acesso a direitos básicos e a identificação  destes sofrimentos por elas tem sido essencial para a caminhada de cada uma.

A psicoterapia é um espaço seguro para falar de si, de qualquer assunto que tenha vontade. São momentos de saúde, de autocuidado, de se fortalecer internamente e, principalmente, de confiar em si mesma e na sua capacidade de superar situações difíceis. Espaços de fala, são espaços de saúde, são espaços de promoção da vida.

É de extrema importância criar espaços em que estas mulheres possam se ocupar do cuidar de si, onde tenham a oportunidade de tomar a si mesmas como objeto de conhecimento e ação, e que através da relação consigo mesmas possam transformar-se. Entretanto, durante este período de execução do projeto podemos observar muitas mulheres com limitações materiais para obter este espaço. Responsabilidades como cuidar dos filhos e da casa aparecem como mais importantes do que o cuidado de si. Mas, como cuidar do entorno se não estou bem? Afinal, quem cuida de quem cuida?

A Rede de Acompanhamento Psicológico Nise da Silveira se propõe a disponibilizar espaços reflexivos de atendimento psicológico em formato virtual. A pandemia do coronavírus afetou todas as formas de relações presenciais e os atendimentos virtuais (telefone/internet) são possibilidades de produzir encontros reais que promovem alívio emocional.

Somos mulheres que compreendem que uma sociedade será justa e igualitária quando todas tiverem a possibilidade de vivência plena de seus direitos sociais. A psicoterapia, o direito ao acesso pelo Sistema Único de Saúde, é um serviço público e para todas as que dela necessitarem. Ocorre que o desmonte e precarização das políticas públicas reduz imensamente a oferta dos atendimentos. Como psicólogas e militantes nosso desejo é o de contribuir com uma sociedade plena de direitos para todas e, onde o Estado está ausente na vida de muitas mulheres, nós tencionamos estar presentes na vida de algumas delas:

“Muita gente pequena, em muitos
lugares pequenos, fazendo
coisas pequenas, mudarão a
face da terra” (provérbio africano).”

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