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Ocupação Padre Leo Comissari luta contra despejo ilegal

HOMENAGEM – A Ocupação buscava homenagear o padre Leo Comissari. (Foto: Reprodução/Adriano Tomé)

Redação São Paulo
Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas

SÃO BERNARDO DO CAMPO (SP) – Na madrugada do dia 21 de novembro de 2020, cerca de 200 famílias organizadas pelo Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) ocuparam um terreno abandonado há mais de 20 anos na cidade de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, e a nomearam com o nome de Padre Leo Comissari, em homenagem ao famoso padre que durante anos construiu um grande trabalho de organização e assistência às famílias carentes da cidade, sempre defendendo o direito à terra e ao trabalho para viver com dignidade.

A ocupação foi fruto de um grande trabalho de organização realizado pelo MLB junto às famílias sem teto da cidade, que sofre com um déficit habitacional que ultrapassa a marca de 90 mil moradias, problema aprofundado pela especulação imobiliária, o aumento do preço dos aluguéis e a política sistemática de despejos ilegais do prefeito Orlando Morando (PSDB).

Além das lutas organizadas nos últimos anos contra esses despejos, o movimento organizou na cidade uma ampla rede de solidariedade durante a pandemia, garantindo a entrega de cestas básicas, máscaras e álcool em gel para quem mais precisava e organizando lutas para reivindicar direitos durante a grave crise sanitária e econômica que se instaurou no país desde de março.

Conscientes de que apenas com organização e luta seria possível enfrentar a crise e conquistar uma moradia digna, as famílias decidiram ocupar o terreno que estava entregue à especulação imobiliária. Algumas horas após a entrada no terreno e a construção da maior parte dos barracos de lona e da cozinha da ocupação, a Guarda Civil Metropolitana (GCM) chegou ao local e iniciou um processo ilegal e violento de despejo das famílias.

A guarda apontou armas de fogo para os ocupantes, agrediu a advogada do movimento, forçou a entrada no terreno, ameaçou atear fogo no terreno caso as famílias não se retirassem e mostrou que estava disposta a realizar um massacre para proteger a propriedade privada de um milionário que há décadas havia abandonado o local. Apesar da violência, as famílias não se amedrontam, permaneceram unidas e, ao som de palavras de ordem, expulsaram a guarda de dentro da ocupação. Após esse momento, sabendo que a luta, apesar de justa, é difícil e muitas vezes longa, as famílias decidiram realizar um acordo para se retirar do terreno levando todos os seus pertences e evitar um confronto violento com a tropa de choque da GCM.

Reunidas na porta da Ocupação, as famílias realizaram uma grande assembleia e deixaram claro que a luta continuará e que, agora, ainda mais experientes e conscientes da importância de lutar, organizarão novas reivindicações e se manterão firmes para conquistar sua moradia. A primeira vitória já veio, com o afastamento do subinspetor responsável pelo despejo ilegal, após uma onda de denúncias organizada pelo movimento contra ele que, além de violentar as famílias, é membro de uma organização fascista na cidade.

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