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A sobrecarga do ensino remoto

EDUCAÇÃO – Com a pandemia do coronavírus, instituições de ensino (desde a escola primária até as instituições de ensino superior) cancelaram as atividades presenciais e adotaram as atividades remotas, realizadas, sobretudo, pela internet.

Esse modelo de ensino exigiu de alunos e professores o mínimo de infraestrutura, como computador ou celular, internet e um ambiente adequado para o estudo. Num país como o Brasil, onde quase 30% das casas não possuem internet [1], onde mais de seis mil famílias foram despejadas de suas casas só em 2020, como garantir a infraestrutura adequada para os estudos?

Nas universidades, estima-se que 35% dos estudantes do ensino superior desistam e abandonem seus estudos [2]. Com a renda comprometida, com demissões em massa e a falta de perspectiva para conseguir um emprego, os jovens das universidades privadas se veem sem condições de arcar com as mensalidades, enquanto os estudantes de universidades federais, onde 50% são estudantes pobres que enfrentam dificuldades, sem infraestrutura ou ambiente adequado para acompanhar as aulas.

Os estudantes universitários que continuaram com o ensino online ainda tiverem que lidar com o aumento da carga horária de estudos e com uma extensa lista de atividades a serem realizadas, se comparados com o ensino presencial, além da dificuldade de interação entre aluno e professor e entre os próprios alunos, o que muitas vezes afeta o aprendizado dos conteúdos. Com a alta sobrecarga, muitos alunos acham difícil conciliar suas atividades não acadêmicas e tiveram mais dificuldade de concentração e se sentiram mais ansiosos.

Outra coisa que impacta os estudantes é o grande número de aplicativos necessários para a comunicação com os professores e para realização das atividades, como aplicativos de e-mail, de chamadas de vídeos, de escaneamento de documentos, além dos específicos para algumas disciplinas. Tudo isso só colabora para os alunos se sentirem mais perdidos e cansados, tendo que utilizar aplicativos e plataformas diferentes para realizar cada uma de suas tarefas de estudo.

Há ainda o estresse gerado pelo contexto de pandemia e do isolamento social, que só reforça que com a implementação do ensino remoto de forma generalizada foi mais uma tentativa de manter a “normalidade” e só contribuiu para sobrecarregar estudantes e profissionais da educação, gerando, inclusive, uma séria de problemas de saúde mental.

Larissa Mayumi e Priscila Carvalho – Militantes da UJR

REFERÊNCIAS:
[1] https://valor.globo.com/empresas/noticia/2020/05/26/acesso-a-internet-cresce-no-brasil-mas-28percent-dos-domicilios-nao-estao-conectados.ghtml

[2] https://g1.globo.com/educacao/noticia/2020/09/13/no-de-alunos-que-abandonam-faculdade-deve-subir-apos-a-pandemia-e-setores-poderao-enfrentar-falta-de-mao-de-obra.ghtml

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