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Prefeitura de Natal despeja famílias

NATAL – O prefeito de Natal, Álvaro Dias (PSDB) tem demonstrado um enorme descaso com o povo natalense desde o início do seu mandato, principalmente com a população em situação de rua. Além de tentar aprovar, de forma antidemocrática, um Plano Diretor que ignora as periferias e o preocupante déficit habitacional da cidade, o prefeito tem promovido uma desumana política de despejo em meio à pandemia.

Vinte e sete famílias abrigadas na região do Viaduto do Baldo receberam, em agosto de 2020, uma ordem de despejo para sair do local em sete dias. O movimento Nacional População de Rua entrou em negociação com a Secretaria Municipal do Trabalho e Assistências Social (Semtas), onde ficou acordado que todas as 27 famílias seriam beneficiadas. Porém, dentre as 27 famílias, apenas 11 foram beneficiadas até então. As outras 16 continuaram sem nenhuma resposta.

No último dia 11, a Prefeitura expulsou, de forma violenta, as famílias que estavam abrigadas no viaduto, sem nenhum aviso prévio. Segundo a moradora Meyre da Silva, os barracos foram derrubados e agentes da Prefeitura utilizaram spray de pimenta para dispersar os moradores.

Além dela, outro morador do local, João Maria Eduardo, cadeirante, afirmou que um dos agentes da Guarda Municipal o puxou pela camisa para fora do barraco enquanto um fiscal da Prefeitura jogava sua cadeira de rodas em uma caçamba de lixo utilizada durante o despejo. Somente após o apelo de outros moradores do local a cadeira de rodas foi devolvida.

Movimentos sociais que atuam na luta por moradia e pelo direito à cidade se manifestaram em suas redes sociais prestando solidariedade às famílias despejadas e denunciando o descaso por parte da Prefeitura.

“Essa é a política habitacional que Álvaro Dias tem a oferecer ao povo pobre! A política do despejo e da borracha! Nós, do MLB, nos solidarizamos com as famílias do Baldo e lamentamos mais esse episódio de violência covarde contra os pobres!’’, escreveu em nota de repúdio o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB).

É injusto que, mesmo durante a pandemia, com o aumento no número de pessoas em situação de rua a Prefeitura mantenha políticas de despejo sem dialogar com as famílias, nem ao menos garantir um novo lar para elas. Uma política de habitação séria deve trabalhar não no sentido de desabrigar famílias e higienizar a cidade, mas sim em dar a dignidade e oportunidade de abrigá-las da melhor forma.

Ezequias Rosendo

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