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Saúde à beira do colapso no ABC Paulista

COLAPSO – Hospital de Campanha Pedro Dall’Antonia, na cidade de Santo André, chegou à lotação máxima em março (Foto: Prefeitura Municipal de Santo André)

Fabio Martins

SÃO PAULO – À beira do colapso, cidades do ABC paulista estudam medidas mais rígidas e pedem ao Governador do Estado de São Paulo que decrete o lockdown, restringindo o trânsito entre as cidades. A região que é formada por 7 cidades chegou, neste início de 2021, à maior ocupação de leitos de UTI desde o começo da pandemia. Diadema está com 100% de ocupação, Mauá, Santo André e São Bernardo estão com índices acima de 90%; São Caetano do Sul está com 75% e as outras duas cidades da região, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, não têm mais nenhum leito de UTI.

Essa situação é resultado de políticas públicas que atacam a classe trabalhadora. Por exemplo, as prefeituras da região acataram a diretiva do Governo do Estado retornando com as aulas presenciais no início deste ano e o resultado não tardou a chegar: milhares de alunos e professores contaminados e contaminando outras tantas milhares de pessoas com quem convivem. Ao reabrir as escolas esse governo genocida empurrou os profissionais da educação, os alunos e seus familiares para a contaminação e não se preocupou em criar a quantidade de leitos de UTIs necessários para atender uma demanda cada vez maior da população que é contaminada. Hoje, o ABC Paulista é um dos maiores focos de Covid-19 do mundo! Tudo isto poderia ter sido evitado e milhares de vidas poupadas se, ao invés de amenizar a quarentena, o Governador tivesse mantido o lockdown com as escolas fechadas e garantia de auxílio financeiro para a população.

Para os governantes dos ricos a vida da classe trabalhadora só tem valor enquanto ela está produzindo riquezas que servirão aos próprios ricos, por isso, quando um trabalhador ou trabalhadora adoece, esses mesmos ricos não se preocupam.

Prova disso é que o Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe), um sistema de saúde que atende 1,3 milhão de funcionários públicos, incluindo os professores, declarou publicamente que estava com sua capacidade praticamente esgotada, dos 48 leitos destinados aos casos graves de Covid-19, apenas 1 estava livre para atender os doentes. Apesar do previsível colapso na saúde, Doria diminuiu ainda mais os investimentos para manutenção do Iamspe: em 2020, os trabalhadores do setor público contribuíram com R$ 1,063 bilhão para o instituto e o Estado com apenas R$ 466 milhões; em 2021, foi contabilizado o aporte de apenas R$ 4.076 mil para o Hospital do Servidor Público Estadual, comparável à contribuição de um único trabalhador. Esse é o tamanho do descaso e da negligência para com os trabalhadores por parte do Governo do Estado de São Paulo, ratificados pelas prefeituras do ABC Paulista que estão vendo seus professores, alunos e cidadãos morrerem em corredores de hospitais e nada fazem para conter, de fato, a pandemia na região.

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