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Trabalhadores da assistência social de São Paulo organizam paralisação em defesa da vida

PELA VIDA – Trabalhadores têm se mobilizado para garantir condições seguras de trabalho em meio à pandemia (Foto: Reprodução)

Victoria Magalhães

SÃO PAULO – Desde o início da pandemia da COVID-19, onde a situação do povo trabalhador tem sido duramente agravada pelo desemprego e a fome, causados pelo descaso do governo de militares, a demanda dos equipamentos da Assistência Social aumentou drasticamente. Isso porque, mais do que antes, a população tem sofrido com a sobrecarga física e psicológica.

Diante deste cenário, os trabalhadores da Política de Assistência Social têm trabalhado incessantemente junto a população mais vulnerável, sem contar com nenhum respaldo da Prefeitura de Covas (PSDB) e do Governo de João Doria (PSDB). Em especial as trabalhadoras e trabalhadores terceirizados, como motoristas, vigilantes, Agentes SUAS e agentes de limpeza, que tem tido suas vidas postas em risco, sem direito à vacinação como os demais trabalhadores da área.

Os trabalhadores não têm recebido os EPI’s adequados para proteção contra o novo coronavírus e foram negadas quaisquer possibilidades de trabalho remoto como medida para reduzir a exposição à doença no transporte público e no atendimento à população. Além disso, as Organizações da Sociedade Civil (OSC), que administram parte do trabalho da Assistência Social municipal, em muitos casos ameaçam o não pagamento de férias e salário mensal, utilizando coerção e assédio para forçar os trabalhadores a trabalharem sem segurança e escolherem entre suas vidas e seus empregos.

Pior, além da superexposição, alguns trabalhadores, como os entrevistadores sociais, estão sendo obrigados a trabalhar com atrasos no Vale Transporte e Vale Alimentação e, em muitos casos, sofrendo assédio moral e coação por se organizarem para defender os direitos da categoria. Além disso, centenas de trabalhadoras e trabalhadores terceirizados foram demitidos no último período sem o pagamento de nenhum dos diretos trabalhistas e foram jogados à própria sorte por um sistema onde a vida vale muito menos do que o lucro de meia dúzia de milionários que enriquecem mesmo durante a maior crise sanitária do nosso país.

“Para eles somos essenciais para trabalhar, mas descartáveis para morrer. Eles colocam sobre as costas dos trabalhadores a responsabilidade e o dever de sanar a crise do capitalismo intensificada pela pandemia. Criminalizam nossas defesas pela vida e nos culpam pelo caos, enquanto todos os dias enterramos mais um trabalhador ou trabalhadora”, diz Valéria Real, trabalhadora do SUAS.

Por esses motivos, na véspera do Dia do Trabalhador, 30 de abril, a categoria organiza uma paralisação de todos os postos da cidade de São Paulo e cobram ainda uma postura combativa dos sindicatos, para que se coloquem ao lado dos trabalhadores e trabalhadoras que estão lutando em defesa da vida, da vacina para todos os trabalhadores do SUAS, pelo não retorno presencial dos serviços não essenciais da proteção básica, pela implementação organizada e ampla do teletrabalho e para denunciar o sucateamento dos serviços públicos impostos pelos governos Bolsonaro, Dória e Covas.

A paralisação já indica grande adesão dos trabalhadores que enxergam na mobilização popular a saída para o abandono que nosso povo tem vivido, como explica Ana, trabalhadora do CRAS: “Aderi à paralisação em apoio as trabalhadoras e aos trabalhadores terceirizados do SUAS que estão trabalhando na linha de frente sem vacinação. Somos contra a retomada das atividades presenciais nos serviços da rede socioassistencial da Proteção Social Básica enquanto não houver vacina para todos e todas. Estamos também denunciando a precarização do trabalho dos cadastradores e das cadastradoras sociais que a cada dia vêem seus direitos trabalhistas sendo violados. Só nossa luta pode mudar isso”. E complementa: “Nós trabalhadores da assistência, temos o compromisso em garantir que nossa classe tenha acesso a direitos básicos, porém sabemos que a miséria é gerada diariamente pela barbárie capitalista e não será resolvida por meio da assistência social, uma vez que nós da assistência também fazemos parte da classe trabalhadora e também somos explorados”.

De fato, sabemos que a defesa dos serviços públicos, de qualidade e acessíveis para todas e todos passa, necessariamente, pelo fim da terceirização – que precariza o trabalho e o atendimento à população -, pela estatização dos serviços públicos – para que assim trabalhadores e usuários tenham condições de lutar por melhorias nas condições de trabalho -, pela oferta de políticas públicas de qualidade e pelo fim desse sistema onde o dinheiro é mais importante que a vida de toda a classe trabalhadora.

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