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Ato cobra revitalização de monumento aos mortos e desaparecidos na Ditadura Militar

Militantes da Unidade Popular participam de ato em defesa da memória, verdade e justiça. Foto: Reprodução.

Carla Castro*

PORTO ALEGRE – Movimentos populares e partidos políticos realizaram ato, neste domingo, 16 de maio, em Porto Alegre. A iniciativa teve como principal objetivo cobrar comprometimento do poder público quanto à manutenção estrutural do monumento aos mortos e desaparecidos políticos durante a Ditadura Militar, localizado no cruzamento das avenidas Ipiranga com Edvaldo Pereira Paiva, junto ao Parque Marinha do Brasil. 

Nana Sanches, do diretório nacional da Unidade Popular e da coordenação do Movimento de Mulheres Olga Benario, destacou que é fundamental que o monumento seja restaurado. “Sabemos que estamos passando por um governo fascista que faz um ataque direto à esquerda, aos comunistas, aos socialistas e a todas as forças progressistas do nosso país. A gente entende que estes símbolos também estão sendo atacados. Estamos juntos nesse movimento pela preservação da história, da verdade sobre os crimes cometidos pelo Estado na Ditadura Militar”.

Inaugurado em 1994, o monumento está danificado pelo tempo e pelo vandalismo. Além do mais, o grupo cobra que o local tenha manutenção em respeito à memória dos que lutaram contra a ditadura que assolava o nosso país e a população em 64. De acordo com documento apresentado pelos grupos durante a mobilização, o monumento tem papel pedagógico educacional. “Uma aula de história, sociologia, filosofia ou outra, fora do espaço escolar pode fornecer uma série de novos estímulos, além do conteúdo em si, falar sobre um dos períodos mais duros da história do país depois da escravidão. Dessa forma, é fundamental que o município que é responsável pela preservação do monumento faça a devida manutenção do espaço, e produza materiais para que a população em geral tenha informações”.

Varal com os rostos de militantes presos e assassinados pela ditadura militar fascista de 1964. Foto: Reprodução.

Entre 1964 e 1968, 434 pessoas foram mortas e torturadas por serem opositores ao regime militar no Brasil. Os registros indicam que o primeiro torturado foi o líder comunista pernambucano Gregório Bezerra, que no dia 2 de abril foi preso, arrastado pelas ruas de Recife, amarrado em um jipe e depois espancado por um oficial do Exército com uma barra de ferro. Nos 21 anos que os militares governaram o país, atos como esse eram rotina. Podemos acrescentar à lista assassinatos e desaparecimentos.

A lacuna histórica que dá conta das informações sobre mortes, torturas e desaparecidos começou a ser sanada em 2011 quando os movimentos populares conquistaram a criação da Comissão Nacional da Verdade, sancionada em lei pela então presidente da república Dilma Roussef. Em 2014, foi divulgado um relatório onde constam os nomes de 434 pessoas – 101 assassinadas e 243 desaparecidas. Segundo a organização internacional não governamental de direitos humanos, Human Rights Watch, aproximadamente 20 mil pessoas foram torturadas pela Ditadura Militar no Brasil.

O documento consolidado pela Comissão da Verdade foi redigido por seis comissários que afirmaram que os crimes cometidos no período, como assassinatos, a prática da tortura, desaparecimentos políticos e ocultação de cadáveres foram “crimes contra a humanidade” e alegaram que os atos fizeram parte de uma “política sistemática” que durou todos os anos da ditadura. 

Pela memória, verdade, e justiça de todos os nossos heróis que perderam suas vidas lutando pela construção de uma sociedade mais justa!

*Jornalista e coordenadora estadual do MLB/RS.

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