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Cassiano: nossa voz suprema do soul

CULTURA POPULAR – Cassiano foi um dos maiores cantores e compositores da música negra brasileira (Foto: Reprodução)

Heloiza Cristina e Pedro Antonelli

SÃO PAULO – Genival Cassiano dos Santos, mais conhecido como Cassiano, um dos maiores compositores da música brasileira, se foi. Como muitos artistas brasileiros morreu esquecido, no Hospital Estadual Carlos Chagas, na zona Oeste da cidade do Rio, sendo mais uma vítima da política de genocídio orquestrada pelo fascista Jair Bolsonaro.

A história desse gênio da música começa na Paraíba, no dia 16 de setembro de 1943. Nascido em berço pobre, numa família de 19 irmãos e sendo um dos únicos que sobreviveu (a maioria morreu por conta de epidemias), teve um pai músico, amigo próximo de Jackson do Pandeiro, e passou poucos anos em seu estado de origem; no final dos anos 40 sua família se mudou para o Rio de Janeiro em busca de melhores condições de vida e, na cidade do Rio, Cassiano trabalhou como servente de pedreiro para ajudar em casa.

Aos 21 anos começou sua carreira, inicialmente no grupo Os Diagonais, um trio formado por Cassiano, Camarão (que era seu irmão) e Amaro; com o grupo viajou por Minas Gerais, Bahia e São Paulo durante a década de 60, período em que o golpe militar se instaurava, a repressão contra o povo era insuportável e os grandes festivais musicais ganhavam espaço, dando voz principalmente à Tropicália e Jovem Guarda e alimentando uma forte tensão popular. O grupo chegou a gravar dois discos, mas Cassiano teve sua carreira reconhecida de fato apenas em 1970, quando conheceu Tim Maia e foi convidado para fazer parte de seu primeiro álbum, do qual participou como guitarrista e para o qual compôs as músias “Primavera” e “Eu amo você”.

Em 1972 começou sua carreira solo e lança seu primeiro LP, “Imagem e Som”; neste, que conta com a participação de Tim Maia, interpreta “Ela Mandou Esperar” e “Tenho Dito”. No ano seguinte lançou “Apresentamos O Nosso Cassiano”, onde toca 10 músicas, todas de sua autoria, entre elas “Cedo ou Tarde” e “Me Chame Atenção”. Em 1976 lançou seu maior sucesso, o LP “Cuban Soul”, álbum inteiramente composto e interpretado por ele mesmo, que tinha entre suas músicas seus maiores sucessos: “A Lua e Eu” e “Coleção”, que chegaram a fazer parte de trilhas sonoras de novelas da época.

Nos anos 80 e 90 são lançadas diversas coletâneas com suas obras reinterpretadas, participou de álbuns de Ed Motta, Djavan, Luiz Melodia, Sandra de Sá, entre outros grandes nomes da MPB.

A obra de Cassiano foi muito importante para a cultura e a música brasileira e tem ainda mais relevância para a periferia, influenciando, por exemplo, o maior grupo de rap da história do Brasil, Racionais Mc’s, que cit Cassiano no trecho, “O luar representa ouvindo Cassiano, há, os gambé não ‘guenta’”, da música Vida Loka pt.2, uma obra que fala da realidade de violência e de sobrevivência em meio a um sistema de extermínio do povo negro. Em outro grande sucesso do grupo, “Da ponte pra cá”, pode-se ouvir tocar “Onda”, um dos maiores sucessos de Cassiano, na abertura da música. No último álbum do grupo, na música “Eu Te Proponho”, um trecho de “Castiçal” é citado, outra grande obra do músico. Cassiano também foi sampleado (termo usado para definir quando uma música é tocada dentro de outra) por músicos internacionais, como os rappers Buster Wolf e Yo Gotti.

Esse grande nome infelizmente faleceu, mas sua obra é imortal. Foi mais uma vitima do estado racista que é gerido por Bolsonaro e apoiado pela grande burguesia, inimiga natural do povo trabalhador. Nosso povo merece viver, cantar, tocar e ser feliz; para isso é preciso derrubar esse genocida e destruir esse sistema que trata as pessoas como descartáveis e substituíveis.

Cassiano vive!

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