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Mais de 30 pessoas cometem suicídio por semana devido aos despejos na Espanha

NÃO AOS DESPEJOS – Trabalhadores lutam para por fim aos despejos que só beneficiam os especuladores do mercado imobiliário (Foto: Reprodução)

“Não são suicídios, são assassinatos. Os bancos e políticos são cúmplices. Parem os despejos!” dizem cartazes da torcida organizada do Rayo Vallecano, time proletário de Madri, Espanha.


Isabella Alho 

ESPANHA – Na Espanha, movimentos sociais, organizações da sociedade civil, torcidas de futebol e outras entidades estão organizando uma campanha pelo fim dos despejos em meio a pandemia. A campanha “Stop Desahucios” ou “Parem os Despejos” tem realizado uma série de manifestações nos grandes centros de Barcelona, em frente ao Palácio de Governo.

Os organizadores da Plataforma de Afectados por la Hipoteca (Plataforma de Afetados pela Hipoteca – PAH) exigem “uma Lei Estadual de Habitação que ponha fim ao flagelo dos despejos de famílias vulneráveis, fornecendo respostas e soluções reais: uma renda social para famílias vulneráveis. A inação do governo é uma irresponsabilidade muito séria que tem impacto direto nas vidas dos cidadãos que afirmam servir.”

Desde a crise de 2008 os bancos espanhóis expulsaram ao menos 400 mil famílias de seus imóveis alegando inadimplência no pagamento do financiamento. Mesmo durante a pandemia os despejos continuam ocorrendo. De acordo com a PAH, a Espanha regista uma média de 34 suicídios por semana motivados por despejos.

São diversos os relatos de pessoas jovens, desempregadas e sem ter para onde ir. Amaia Egaña (53 anos), trabalhadora de Barakaldo na Espanha, suicidou-se no dia 12, pouco antes de passar pela violência do despejo. Segundo a Resvista Opera Mundi, um homem que 58 anos, desempregado pelo menos há um ano e meio, morador de aluguel no centro de Barcelona, suicidou-se após os funcionários da justiça bateram na sua porta.

O país mantém cerca de 1 milhão de imóveis vazios, muitos desses são unidades habitacionais construídas na febre imobiliária de 2008. De acordo com a plataforma, o número de imóveis vazios seria suficiente para sanar os problemas das famílias mais vulneráveis em meio a pandemia.

Tomar as ruas têm gerado vitórias para os que lutam. Segundo o portal G1, por conta da pressão popular, o primeiro-ministro Mariano Rajoy pediu na segunda-feira a funcionários de seu partido e da oposição socialista que acelerem as negociações sobre as reformas das leis de despejo. A Associação Espanhola dos Bancos disse que seus filiados já acertaram com o governo na semana passada uma suspensão por dois anos dos despejos que atinjam as famílias mais carentes, segundo nota divulgada na segunda-feira pela entidade.

No Brasil, uma movimentação similar tem ganhado força, a Campanha Despejo Zero. De acordo com o Monitoramento da Campanha, mais de 14.301 foram despejadas em meio a pandemia e mais de 84.902 estão ameaçadas de despejo. A pressão dos movimentos já conquistou 54 casos de suspensão por ora.

Não bastasse o desemprego, os trabalhadores das grandes cidades estão submetidos a violência dos despejos em meio a uma crise sanitária que exige isolamento social. Os governos e os bancos tem responsabilidade nas mortes envolvendo o desemprego, coronavírus e os efeitos da super exploração.

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