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A atualidade do livro Anti-Dühring 143 anos após sua publicação

A obra foi escrita por Friedrich Engels no fogo da luta de classes na Alemanha, um dos primeiros países na Europa em termos de crescimento industrial no século 19. Nessas circunstâncias, o marxismo começou a se consolidar como a base teórica da organização de vanguarda dos trabalhadores. Com receio das ações das massas, os governos reacionários sempre contariam com os ideólogos burgueses e suas mentiras para exercer influência sobre o movimento operário.

Por Igor Barradas | Redação Rio


TEORIA MARXISTA – O crescente prestígio de Eugênio Dühring, professor da Universidade de Berlim, entre os socialdemocratas da década de 1870 caracteriza bem essa situação. Dühring afirmava ser um comunista, mas negou a ditadura revolucionária do proletariado, rejeitou a dialética, o ponto de partida da reflexão filosófica marxista, e criticou as teorias econômicas de Marx. Isso levou Engels a buscar demolir as teses desse “confusionista”.

O Anti-Dühring de Engels é a primeira exposição sistemática do marxismo em suas três partes constitutivas, pedras angulares da extraordinária doutrina social do proletariado. Essas três partes constituem as três seções do livro.

Na primeira parte, Engels caracteriza Dühring como um pensador dogmático e faz uma exposição dialética da concepção da realidade como um movimento e processo dinâmico e, portanto, se opõe à metafísica, que captura apenas os aspectos estáticos da realidade.

O dirigente comunista explica brilhantemente a diferença entre a concepção idealista e materialista do mundo. Para a primeira, o pensamento determina a matéria, a existência do homem e a realidade. Já a segunda, afirma que a consciência deriva das condições materiais de existência do homem.

Engels também explica que as relações sociais capitalistas são apresentadas como eternas, mas na verdade são apenas um produto do período histórico em que existem. A obra mostra atualidade à medida em que os pensadores forjados pela burguesia apresentam que o capitalismo durará para sempre, dando um ar de divindade para a propriedade privada.

Na segunda parte do livro, Engels, com ajuda de Marx, faz uma exposição geral das teorias e conceitos mais importantes da crítica à economia política. Entendendo que não há movimento revolucionário na ausência de teoria revolucionária, ele se preocupa com o fato de que os círculos operários pudessem entender, tanto na teoria como na prática, os mecanismos de exploração desenvolvidos pelo capitalismo. 

Na terceira e última parte de Anti-Dühring é abordada a expansão do comunismo científico. Engels considera a derrubada do sistema burguês o resultado final do desenvolvimento da sociedade e uma alternativa inevitável ao capitalismo decadente. “Quando a sociedade tomar posse dos meios de produção, será eliminada a produção de mercadorias e, desse modo, o produto deixará de dominar os produtores. A anarquia na produção social será substituída pela organização consciente e planejada. Cessará a luta pela existência [individual]. Só depois que isso acontecer, o ser humano se despedirá, em certo sentido, definitivamente do reino animal, abandonará as condições animais de existência e ingressará em condições realmente humanas” (Engels).

Passados 143 anos de sua publicação, as questões presentes em Anti-Dühring continuam tendo profunda relevância na atualidade. Através desse livro, podemos conhecer as razões da miséria e os meios que devemos tomar para acabar com ela.

No seu conjunto, esta obra é uma leitura imprescindível para todos que lutam pela transformação do mundo e almejam alcançar o nobre ideal da sociedade sem classes, sem exploração e opressão, o ideal do comunismo.

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